O ministro adjunto, que tutela a comunicação social, rejeitou esta quinta-feira qualquer interferência do Governo na mudança de diretor da agência Lusa e disse ter dado orientações para que não houvesse decisões que pudessem “interferir com a campanha eleitoral”.

Em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, Miguel Poiares Maduro deu a entender que considera que a mudança de diretor da Lusa respeita essa orientação, referindo que "a decisão do conselho de administração só se aplica após a campanha eleitoral", tendo efeitos no dia seguinte às legislativas de 4 de outubro.

"E foi justificada pela senhora presidente do conselho de administração precisamente para libertar a Lusa daquilo que tem acontecido ao longo de muitos anos que é: sempre que muda um Governo, muda a direção de informação e passa, portanto, a perceção de dependência política da direção de informação dos ciclos governativos, dos ciclos políticos, o que me parece extremamente negativo."


Antes, Miguel Poiares Maduro considerou "surpreendente" o facto de estar ser questionado pela comunicação social sobre este assunto, tendo em conta que, "o Governo não pode interferir nessa matéria", nos termos da lei.

"Os jornalistas deveriam ser os primeiros a salvaguardar aquilo que a lei exige, que é a não interferência do Governo numa decisão do conselho de administração da Lusa relativa à escolha do seu diretor de informação. O Governo não teve qualquer interferência na matéria", afirmou.

"O único ponto adicional que posso acrescentar relativamente a esse tema é que, relativamente a todas as entidades sob a minha tutela, eu dei uma orientação no sentido de não tomarem qualquer decisão que pudesse interferir com a campanha eleitoral", adiantou, mencionando em seguida que "a decisão do conselho de administração só se aplica após a campanha eleitoral".

Na quarta-feira, foi comunicada à redação da Lusa a decisão do conselho de administração da agência de afastar o diretor de informação, Fernando Paula Brito, em funções desde 2011. Em solidariedade, os dois diretores-adjuntos demitiram-se.

No mesmo dia, soube-se que o jornalista Pedro Camacho tinha sido escolhido pelo conselho de administração da Lusa para diretor de informação da agência de notícias, devendo assumir funções a 5 de outubro.