A sede formal do Ismamat Ismaili passará a funcionar em Portugal. O acordo entre o Governo e o príncipe Aga Khan, líder desta comunidade de muçulmanos Shia foi assinado esta quarta-feira em Lisboa e inclui, também, um investimento na investigação académica, o que fez o primeiro-ministro salientar o "amplo partido" que as universidades poderão retirar deste acordo.
.
A Rede Aga Khan de Desenvolvimento é uma das maiores agências privadas para o desenvolvimento em todo o mundo. Atua em 30 países e dá emprego a mais de 80 mil pessoas.  

Em Portugal, onde já atuava com vários projetos de índole social, haverá também um investimento na investigação no Ensino Superior.

Ambas as partes realçaram a importância histórica deste acordo. O primeiro-ministro destacou as "oportunidades" que as universidades podem ter a partir de agora.

"Estou certo que as nossas universidades, os nossos centros de investigação e os nossos investigadores, que estão cada vez mais abertos ao mundo e integrados na rede universal do conhecimento, saberão rapidamente, em conjunto com a rede Aga Khan para o Desenvolvimento e as suas instituições, tirar amplo partido das oportunidades criadas com este acordo", afirmou Passos Coelho, durante a cerimónia de celebração do dito acordo.

O ministro Negócios Estrangeiros, Rui Machete, também teveum discurso em sintonia com o do primeiro-ministro.  “O acordo hoje assinado representa um novo impulso para a investigação de alto nível que realizamos nas nossas Universidades e instituições de investigação, e dessa forma contribui para o progresso do nosso País".

Após sublinhar o “modelo de participação cívica e de consciência social” que esta comunidade oriunda de um ramo do islão xiita desenvolve em Portugal, onde está presente desde 1983, Rui Machete destacou a importância da “Rede Aga Khan para o Desenvolvimento” no panorama internacional e “conhecida” pelos portugueses.

“A forte presença em determinados países da CPLP, como é o caso de Moçambique, estreita ainda mais os nossos laços e demonstra um potencial de conjugação de esforços que importa desenvolver”, afirmou.

A decisão do Governo português em acolher a sede global do 'Imamat Ismaili' (comunidade ismaelita) foi definida como “um importante sinal de abertura do Estado” dirigido à importante comunidade dos muçulmanos ismaelitas e num contexto em que “o diálogo intercultural e interconfessional assumem um papel de capital importância nas principais questões da agenda internacional”.

Neste contexto, o chefe da diplomacia considerou que as “ameaças às democracias e aos direitos das populações por parte de movimentos retrógrados, xenófobos e intolerantes” não podem ser menosprezadas, com o sucesso neste combate dependente da “estreita coordenação e de um trabalho conjunto”.

“Uma sociedade rica é, sobretudo, uma sociedade livre, na qual a democracia e os direitos fundamentais são basilares, e que promove uma sã convivência entre diferentes crenças, não desconsiderando nem oprimindo as minorias ou segmentos da população por força de uma visão arcaica da sociedade”, salientou ainda.

O Aga Khan, título que atualmente detido pelo príncipe paquistanês nascido na suíça Karim al Husseini, que discursou em inglês ao lado de Rui Machete e de Passos Coelho, sublinhou um acordo “pouco comum” com um parceiro que partilha valores similares e que poderá permitir “qualidade de vida” para quem vive em Portugal e garanti-la em “outras partes do mundo” onde possa ocorrer uma cooperação conjunta.

“Hoje é uma ocasião única e importante, onde pela primeira vez na nossa história teremos a oportunidade de trabalhar com um parceiro com quem partilhamos tantos valores, tantas esperanças e tantos desejos”, frisou.

“Assim, espero pela aprovação [do acordo] pelo parlamento, porque são uma democracia, e quando estiver concluída espero que possamos trabalhar em conjunto para alcançar resultados que não obtivemos quando trabalhávamos sozinhos”, enfatizou, em referência a um acordo que considerou “permanente”, disse o líder da comunidade ismaelita.