O académico e ex-líder do CDS-PP assumiu, no Jornal das 8 da TVI, que "há viabilidade na definição literal da Constituição" para que o Presidente da República dê posse a um governo de esquerda, mas "nunca passou pela crítica dos constitucionalistas, dos comentadores e da Constituição que estes caminhos fossem possíveis". 

"Quando se diz que a esquerda, coligação destes partidos, está preparada para governar Portugal não se responde à pergunta se Portugal está preparado para ser governado por essa coligação. Tem programas inteiramente incompatíveis com as obrigações do país e oferece um programa que ainda não entendi se é de governo ou se é parlamentar"

Ora, Adriano Moreira lembrou que o exercício de quem ocupa o poder "muitas vezes não coincide com aquilo que promete". 

"Os juristas têm prática desta experiência: as leis consentem, a boa governação não consente. Neste momento há como que uma utilização da letra da lei [com a] violação daquilo que deve ser a boa relação com o eleitorado, a informação"

O que deve fazer o Presidente da República

"A decadência financeira do Estado seria tão grande imediatamente que eu começaria a pensar que neste momento estava feliz por ter desaparecido o protetorado e começava a preocupar-me" de novo, confessou. 

"O Presidente da República não tem mais do que cumprir a Constituição. O líder da coligação [Passos Coelho] só é chamado oficialmente e formalmente para formar governo a partir de hoje. Eu espero que ele lute no Parlamento como no passado e que prefira cair no parlamento lutando para fazer o PS mudar de atitude do que não se prestar a ter mais conversas com o PS"

Moreira defende que é na Assembleia da República que Passos Coelho, que para si deve então ser o próximo primeiro-ministro, que tem de dar provas da solidez dos seus princípios, "incluindo dos sacrifícios exagerados nalguns aspetos", criticou.