O secretário-geral do PSD, José Matos Rosa, contestou esta sexta-feira as críticas do PS às nomeações por concurso para a Administração Pública, defendendo que o panorama geral não pode ser confundido com «episódios excecionais relatados pela imprensa».

Sem falar de nenhum caso em concreto, José Matos Rosa assumiu esta posição numa declaração à comunicação social feita na sede nacional do PSD, em Lisboa, após a qual não respondeu a perguntas dos jornalistas.

O secretário-geral do PSD assinalou que «foi o atual Governo quem, através do PREMAC (Plano de Redução e Melhoria da Administração Central), baixou a despesa pública e reduziu 1711 lugares de nomeação» e questionou se os socialistas pretendem regressar ao anterior sistema de nomeações políticas.

Hoje, em conferência de imprensa, o membro do Secretariado Nacional do PS António Galamba acusou o executivo PSD/CDS-PP de ter posto em curso uma «operação de nomeação de chefias na Administração Pública sem rigor, sem transparência e sem pudor», apontando casos noticiados pelo Diário de Notícias como o concurso para o lugar de subdiretor-geral do Tesouro.

O socialista destacou o facto de o presidente de a Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP), João Bilhim, afirmar em entrevista publicada hoje pelo DN que está a «estragar os arranjos a muita gente» e considerou que essa afirmação exige um esclarecimento público do Governo.

Na sua intervenção, o secretário-geral do PSD contrapôs que a CReSAP «promove um trabalho transparente e rigoroso, que não pode nem deve ser confundido com os episódios excecionais relatados pela imprensa».

Essa «comissão independente, apartidária e constituída por figuras de reconhecido mérito» emitiu pareceres «sobre centenas de processos, garantindo a seleção e escolha de pessoas de todos os quadrantes ideológicos e esmagadoramente cidadãos independentes, selecionados exclusivamente na base do mérito e competência», sustentou.

«Estará o PS disposto a manter este modelo profissional e isento, ou pretende voltar outra vez ao sistema a que sempre nos habituou, de nomeações políticas para lugares da Administração Pública?», perguntou Matos Rosa.

O secretário-geral do PSD sugeriu que o PS decidiu criticar os concursos para a Administração Pública para «esconder o fracasso do debate que hoje promoveu no parlamento sobre as bolsas de investigação científica».