O diretor indigitado do SIS, Adélio Neiva da Cruz, recusou-se, por duas vezes, a responder claramente se pertence ou não à maçonaria, após questões objetivas formuladas pela vice-presidente do PSD Teresa Leal Coelho.

Na audição da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Adélio Neiva da Cruz também não respondeu a uma pergunta por duas vezes feita pelo deputado do PCP António Filipe sobre a participação do seu antecessor diretor do SIS, Horácio Pinto, numa operação de limpeza eletrónica no gabinete do antigo presidente do Instituto de Registos e Notariado (IRN), António Figueiredo - entretanto preso preventivamente no caso dos vistos gold.

Já perto do final da reunião, Teresa Leal Coelho pediu a Neiva da Cruz para esclarecer em definitivo se «pertence ou não a alguma loja maçónica e se isso condiciona o exercício da sua atividade».

«Não me sinto condicionado por absolutamente nada», disse Neiva da Cruz, acrescentando ainda: «O que foi negativo neste debate foi a associação entre maçonaria e serviços secretos - uma associação que durante o meu percurso profissional nunca senti, nem nunca esteve presente. Não me sinto condicionado sobre essa matéria, apenas me sinto condicionado pela Constituição, pela lei e pelo estatuto dos serviços de informações», contrapôs.

Já em resposta a António Filipe, Neiva da Cruz disse que não teve conhecimento da ação realizada no IRN, na qual agentes do SIS fizeram uma operação de limpeza eletrónica depois de elementos da PJ terem montado nesse mesmo espaço um sistema de vigilância no âmbito da investigação ao caso dos vistos gold.

«Cumprirei as recomendações que estão ser feitas pelo Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa (CFSIRP)», limitou-se a dizer o provável futuro diretor do SIS.

Neiva das Cruz referia-se então à recomendação de «prudência» em futuras ações do SIS em que possam eventualmente estar envolvidos outros serviços policiais ou de informações.

Numa audição em que o seu currículo foi elogiado pelo PSD e pelo CDS, o indigitado diretor do SIS ouviu também o dirigente socialista Jorge Lacão referir-lhe a disponibilidade do PS para colaborar consigo no plano institucional ao longo do seu futuro mandato, num sinal de que aceita a nomeação do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para suceder a Horácio Pinto na direção do SIS.

Neiva da Cruz deixou no entanto um recado aos deputados, defendendo a tese de que o prestígio externo do SIS é maior do que a nível interno.

«O SIS tem sido mais feliz externamente do que internamente. Eventualmente, teremos de ter mecanismos de políticas de comunicação», admitiu, dando como exemplo os serviços espanhóis.

O diretor indigitado do SIS respondeu também genericamente a questões formuladas pela deputada do CDS Teresa Anjinho sobre a real capacidade para operacionalizar meios e do «vice» da bancada socialista Marcos Perestrello sobre relações de cooperação com o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED).

«Na questão dos recursos, o primeiro-ministro deu indicações muito positivas sobre o próximo ano, tendo a parte orçamental sido já consagrada. Há ações que são um virar de página, e estão previstos novos recursos humanos, além de um reaproveitamento e reafectação de alguns recursos internos», disse.

Neiva da Cruz defendeu que é defensor de um serviço único de informações. «Mas o quadro legal é o que está e, como tal, é ainda necessário tirar ainda mais vantagens dele. Está nas intenções do secretário-geral do SIRP, Júlio Pereira, continuar a aproveitar as oportunidades de trabalho conjunto nas áreas logísticas e de apoio», acrescentou