O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, anunciou, esta quarta-feira, no Parlamento, durante do debate do Estado da Nação, a construção simultânea de "79 centros de saúde por todo o país".

"Nunca tal tinha acontecido em Portugal", considerou.

No mesmo debate, o ministro assegurou que, "ontem mesmo, no Ministério das Finanças, foi feita a apresentação do [projeto do] Hospital Oriental [Lisboa]".

Adalberto Campos Fernandes considerou não estar completamente satisfeito e sublinhou que "estamos muito atrasados na recuperação do SNS, dado o estado que nos foi entregue em novembro de 2015".

Contudo, o ministro vangloriou-se também com o trabalho feito até agora: "Estamos a chegar praticamente ao meio da legislatura com 2/3 das medidas para a saúde cumpridas".

Campos Fernandes sublinhou que o foco das políticas do Governo em matéria de saúde está na redução das desigualdades, através da redução das taxas moderadoras e da aposta dos cuidados de proximidade.

Adalberto Campos Fernandes assegura que não houve cativações na saúde: “As únicas cativações que conhecemos são as cativações de memória da oposição que se esqueceu do que fez de 2011 a 2015”.

O agora ministro da Saúde aproveitou a intervenção no debate do Estado da Nação para assegurar que houve investimento nos recursos humanos. “Falar de ausência de investimento no SNS ignorando que existem mais 4 mil profissionais e que nos próximos meses serão integrados mais 1.300 médicos e 774 novos enfermeiros, bem como o aumento do número de médicos de família e melhoria de condições para a fixação de médicos no interior do país com incentivos concretos não é justo”, diz.

O ministro anunciou ainda que vai substituir a Linha de Saúde 24 e disse que "o desafio maior do Governo e na Saúde é poder chegar a 2019, quando se completam 40 anos do SNS e demonstrar que na saúde também havia uma política alternativa". 

Elogio a Paulo Macedo "francamente exagerado"

Na sessão de perguntas ao ministro da Saúde, Os deputados da Esquerda deixou questões muito concretas. Moisés Ferreira, do Bloco de Esquerda, perguntou se “vai ou não haver aumento significativo no Serviço Nacional de Saúde”. Pelo PCP, Paula Santos, perguntou sobre a contratação de profissionais na área.

Já Miguel Santos, no PSD, contestou sobretudo a posição do Governo que nega ter havido cativações na Saúde e mostrou-se ainda “extremamente preocupado com o INEM”.

O deputado laranja elogiou o antecessor de Adalberto Campos Fernandes e o ministro não resistiu a responder, considerando o elogio “francamente exagerado”.

Vir dizer que as consultas e cirurgias feitas este ano são graças ao Dr. Paulo Macedo é francamente exagerado.”

Em resposta ao PSD sobre o INEM, o ministro assegurou que "o INEM vai fechar este ano com o maior nível de recursos humanos de que há memória". Ainda sobre o mesmo tema e em resposta a Miguel Santos, Adalberto Campos Fernandes disse ainda que "todos os concelhos do país" contam com serviço de uma ambulância de Emergência Médica. 

O ministro da Saúde anunciou ainda que, entre julho e novembro, haverá mais 400 médicos de família e que neste momento "estão a aguardar o concurso de colocação".

O ministro da Saúde respondeu com estes números a Heloísa Apolónia, que referiu os 500 mil protugueses sem médico de família.

Adalberto Marques Fernandes garante que "o SNS responde muito mais, não encerrou nenhum serviço, tem muito mais consultas e cirurgias".