O líder parlamentar socialista acusou, esta quarta-feira, PSD e CDS-PP de quererem reabrir feridas saradas com a evocação do 25 de Novembro de 1975, que, disse, os socialistas celebram "no desejo de um país mais autónomo, mais justo, menos desigual".

"O PSD e o PP quiseram tentar neste dia, 40 anos depois, dividir o que já se uniu, ferir o que sarou, reviver o que não sobreviveu, perturbar o que já é adquirido. Nós escolhemos para hoje outra ênfase e outra significação"


Carlos César falava em resposta ao líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, que dedicou uma declaração política no plenário da Assembleia da República ao 25 de Novembro de 1975, o dia que marcou o fim do Processo Revolucionário em Curso (PREC).

"O país mudou profundamente e o que lembramos neste dia, como o podíamos fazer ontem ou o podíamos fazer amanhã, é a nossa adesão coletiva e o nosso empenhamento, cada um a seu modo, na celebração da democracia e no desejo de um país mais autónomo, menos desigual, e mais justo", afirmou o também presidente do PS, citado pela Lusa.

Na sua intervenção, Nuno Magalhães atacou a posição do PS sobre a intenção de PSD e CDS-PP de que o dia fosse assinalado institucionalmente pela Assembleia da República. Para o efeito foi criado um grupo de trabalho pelo presidente do parlamento, Eduardo Ferro Rodrigues, mas nenhum dos partidos de esquerda compareceu à reunião.

"Por que razão o PS não ajudou a garantir a realização de uma sessão oficial de evocação dos 40 anos do 25 de Novembro? Será que foi pela simpatia de não colocar numa situação de desconforto os seus novos companheiros de caminho?"


"Se assim foi, por que razão, na geometria variável que supostamente sustentará o próximo governo, é ao PS que cabe adaptar-se às dúvidas de outros? Será esta circunstância para repetir, reiterar e consolidar?", interrogou.

PSD e CDS-PP promoveram hoje de manhã uma sessão sobre a efeméride, na sala do Senado do parlamento, com o historiador Rui Ramos e o general Tomé Pinto, em que estiveram presentes os presidentes do PSD, Pedro Passos Coelho, e do CDS-PP, Paulo Portas.

Na resposta a Nuno Magalhães, Carlos César afirmou que "o 25 de Novembro foi um momento, tal como outros, de acerto da trajetória do processo iniciado no 25 de Abril e de superação de tensões que podiam desvalorizar em vários sentidos o processo iniciado naquele dia libertador".

O líder parlamentar do PS recordou ter participado "modesta mas emotivamente" enquanto jovem socialista, ao tentar perturbar comunicações militares a partir do telhado de um edifício da rua de São Pedro de Alcântara.

De lembrar que PS, PCP, BE e PEV não compareceram na reunião do grupo de trabalho proposto pelo presidente da Assembleia da República, o socialista Ferro Rodrigues, para discutir a evocação parlamentar do 25 de Novembro de 1975, proposta pelos partidos da direita.