O presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, afirmou esta segunda-feira que a redução da presença norte-americana na Base das Lajes é uma decisão «má» e «hostil» e exige «uma resposta firme e determinada» do Executivo português.

As posições do líder do governo açoriano foram assumidas no final de uma audiência com o Presidente da República, Cavaco Silva, no Palácio de Belém.

«Se é certo que a questão tem um impacto mais direto e imediato na Região Autónoma dos Açores, esta é uma decisão que afeta o nosso país no seu todo, que afeta o relacionamento diplomático, que afeta a aliança e a forma como no fundo os países se devem tratar, sobretudo aqueles que se dizem aliados», afirmou.

Nas declarações aos jornalistas, o presidente do governo açoriano criticou o embaixador norte-americano em Lisboa, Robert Sherman, por, em declarações ao semanário «Expresso», se referir à Base das Lajes como uma «bomba de gasolina».

Vasco Cordeiro considerou o teor da entrevista «absolutamente inadmissível»: «Os Estados Unidos podem fazer o que entenderem e da forma como entenderem no seu território, quando isso implica mexer em território de países aliados a questão não pode e não deve ser feita desta forma».

O líder do governo regional açoriano afirmou que a Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos, que deverá reunir-se em meados de fevereiro, é o «local por excelência» para discutir o assunto, que deve «ser colocado de forma particularmente clara, particularmente veemente, particularmente firme e particularmente determinada» do lado português.

O socialista referiu que esta semana será apresentado um plano de revitalização económica da ilha Terceira e admitiu que «há muitos contactos» e vários cenários em cima da mesa para o futuro da Base das Lajes e do porto oceânico da Praia da Vitória.

«Os Açores estão bem posicionados para um conjunto de serviços de apoio à navegação que podem e em minha opinião até devem ficar instalados na Praia da Vitória, na ilha Terceira», afirmou, lembrando que «o alargamento do canal do Panamá incrementará em muito o tráfego marítimo no Atlântico Norte».

Questionado concretamente sobre o interesse da China, Cordeiro disse não ver «razão nenhuma para que se feche a porta a quem quer que seja» do ponto de vista comercial e rejeitou que esta seja uma forma de pressão sobre os norte-americanos.

«Os Estados Unidos já disseram o que pensam em relação à Base das Lajes, "gas station" (…) acho que não devemos ficar de braços cruzados e acho que é responsabilidade do governo dos Açores e do Governo português não ficar de braços cruzados, não quero acreditar que os Estados Unidos ao tomarem essa decisão esperassem que ficássemos amarrados», disse.

«Temos o direito inalienável de procurar rentabilizar o nosso território e para além desse direito inalienável eu tenho a obrigação de procurar resolver um problema que tenho criado na ilha Terceira e nos Açores», frisou Vasco Cordeiro.