Deputados do PS, PSD e PCP consideraram esta terça-feira extemporâneo que o governo regional dos Açores admita a possibilidade de a base das Lajes ser utilizada por outro país, como a China, e defenderam a necessidade de apoiar os trabalhadores despedidos.

O presidente do governo regional dos Açores, Vasco Cordeiro (PS), admitiu, em entrevista à RTP, a possibilidade de a infraestrutura das Lajes ser usada por outro país que não os Estados Unidos, como a China, com quem Portugal tem «uma relação diplomática» que é «muito anterior» àquela que tem com Washington.

Os EUA apresentaram no início do mês as conclusões do relatório sobre a reorganização das forças militares norte-americanas na Europa, o qual prevê a redução gradual dos trabalhadores portugueses da base das Lajes de 900 para 400 pessoas ao longo deste ano, e dos civis e militares norte-americanos de 650 para 165.

«Neste momento é completamente extemporâneo estarmos a descentrar a questão para outras alternativas que não sejam aquelas que fazem parte da relação bilateral entre Portugal e Estados Unidos», disse esta terça-feira à Lusa o deputado do PS Paulo Pisco, à margem da reunião da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros.


O socialista destacou os «grandes impactos de natureza económica e social» da decisão norte-americana de reduzir a presença na base das Lajes, na ilha Terceira, e defendeu que o foco deve ser a possibilidade de os norte-americanos «reconsiderarem a sua posição».

Para o PS, «o Governo falhou em toda a sua linha e do ponto de vista diplomático isto representa um revés».

Para o deputado social-democrata António Rodrigues, a proposta de utilização da base por outro país «é completamente descabida».

«Não faz qualquer sentido andarmos à procura de quem quer arrendar a base. Só a falta de sentido estratégico e uma reação a quente e precipitada fazem ter esse tipo de atitude», disse à Lusa.


António Rodrigues sublinhou que Portugal «não está em guerra nem num regime de hostilidade» com os EUA, numa alusão à posição de Vasco Cordeiro, que esta segunda-feira classificou de «má» e «hostil» a decisão norte-americana.

O importante, destacou, é «encontrar em conjunto uma solução que ajude os trabalhadores e principalmente a região autónoma dos Açores em relação à situação económica e social da ilha Terceira».

Já para o comunista António Filipe, é necessário estudar «alternativas para o desenvolvimento económico da região que não passem pela utilização da base por um qualquer país estrangeiro».

«O que importa é verificar, no plano das relações bilaterais com os EUA, qual a compensação que devem dar à situação social dos trabalhadores despedidos e uma ilha que depende, em larga medida, na sua empregabilidade, daquela base», defendeu o deputado do PCP.


O futuro da base das Lajes regressou hoje à comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros, com os partidos a aprovarem por unanimidade um requerimento do PS para audição do presidente do governo regional dos Açores, Vasco Cordeiro, do presidente da câmara municipal da Praia da Vitória, Roberto Monteiro e do presidente da câmara municipal de Angra do Heroísmo e também presidente do Conselho de Ilha, Álamo de Menezes.

Sobre a audição, já aprovada na semana passada, do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, sobre a matéria, os deputados apontaram hoje como data possível o dia 24 de fevereiro, quase duas semanas após a reunião da comissão bilateral permanente entre Portugal e os Estados Unidos, prevista para dia 11, em que deverão ser discutidas as contrapartidas norte-americanas para compensar a saída dos efetivos militares.