O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, disse esta quarta-feira que a Implantação da República está a ser celebrada este ano como deve ser, "em dia feriado e festivo e numa praça aberta ao povo".

"Celebramos este ano o Dia da República, o 5 de Outubro, como devemos: em dia feriado e festivo e numa praça aberta ao povo. Porque é desta forma que merece ser evocado um momento chave da nossa história", declarou o autarca socialista, que falava na Praça do Município, na cerimónia comemorativa da Implantação da República.

Para Fernando Medina, esta evocação também se relaciona com o que o 5 de Outubro de 1910 "representou de transformação na sua época, mas sobretudo pelo momento inspirador e pelo que representa enquanto ideia de futuro para Portugal".

"A vida da República é a vida dos seus ideais", sublinhou o presidente do município lisboeta, apontando que "a liberdade, a igualdade, o progresso, a justiça e a dignidade nacional permanecem hoje referências centrais para a construção do nosso futuro coletivo".

Há um ano, esta celebração realizou-se um dia após as eleições legislativas, altura em que, para Fernando Medina, "se abriu um novo ciclo político no país", como já havia dito no discurso dessa ocasião.

"Devemos hoje reconhecer que a solução política saída do quadro parlamentar está a dar resposta à vontade expressa pelos portugueses nas eleições: prosseguir uma política de recuperação gradual dos rendimentos, sem rutura no quadro do relacionamento europeu", sustentou.

Para o autarca "a nova maioria parlamentar [liderada pelo ex-presidente da Câmara de Lisboa, António Costa] está a contribuir para a normalização da vida do país e está a aproximar os cidadãos das instituições políticas".

Também a atuação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tem ido nesse sentido, ao se pautar pela "proximidade no exercício do poder público, a concentração em alargar maiorias de solução e não ampliar minorias de bloqueio" e pelo "diálogo contínuo e claro com os portugueses", considerou Fernando Medina.

"Hoje temos as instituições mais alinhadas com o sentir dos portugueses e temos um país mais consciente das suas possibilidades", concluiu.

Fernando Medina salientou a importância de uma "nova mobilização" do país e vincou que a capital portuguesa está a aproveitar as oportunidades, sem se esperar por "outro tempo ou outro vento".

"Em Lisboa não estamos à espera de outro tempo ou de outro vento. Em Lisboa estamos a agarrar todas as oportunidades para construir um futuro melhor", sublinhou o responsável.

O autarca socialista defendeu que, "ultrapassada a fase de normalização e restabelecidos os laços de confiança com o país, é chegada a hora de uma nova mobilização", para "o desenvolvimento, para o progresso e para o bem-estar dos portugueses".

Por isso, apontou como "fatores chave" a educação, a ciência, a tecnologia, a cultura, a inovação, a abertura e a coesão". "Lisboa hoje é lugar central destas dinâmicas", advogou.

Depois de em 2006 o então Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, ter decidido levar as cerimónias do 5 de Outubro para a ‘rua', transferindo os discursos do salão nobre dos Paços do Concelho para a Praça do Município, ao longo dos últimos dez anos o ‘modelo' foi sofrendo algumas alterações.

Em 2009, ano de eleições autárquicas, o Presidente da República não esteve presente na câmara municipal e organizou uma pequena cerimónia no Jardim da Cascata, no Palácio de Belém.

Em 2010 e 2011, os discursos regressaram à Praça do Município, mas em 2012, pela primeira vez desde 1910, a cerimónia decorreu fora da câmara, tendo sido escolhido o Pátio da Galé.

Contudo, o que acabou por marcar as cerimónias em 2012 não foi a mudança do local dos discursos, mas o facto de a bandeira ter sido hasteada na varanda dos Paços do Concelho com o escudo ao contrário.

Em 2013, 2014 e 2015, as cerimónias voltaram ao Salão Nobre da Câmara de Lisboa. No ano passado, contudo, o Presidente da República voltou a não estar presente, alegando ter de "se concentrar na reflexão sobre as decisões" que teria de tomar nos dias seguintes, numa referência às eleições que se realizaram no dia 04 de outubro.

Este ano, o dia da Implantação da República voltou também a ser feriado, depois de ter sido eliminado em 2013.