Aos recados do Presidente da República nas comemorações do 5 de Outubro, dia da Implantação da República, o primeiro-ministro respondeu assim: "Todos os reveses foram sempre superados e quando há insucessos seguem-se novos momentos de superação".

Depois de os jornalistas lhe pedirem uma reação, António Costa pegou, assim, na frase proferida por Marcelo Rebelo de Sousa, de que "não há sucessos eternos, nem reveses definitivos".

O chefe de Governo desdramatizou, por outro lado a manifestação dos professores que ocorreu ali mesmo, em plena Praça do Município, em Lisboa, contra o concurso de professores, dizendo que as regras foram cumpridas e que "ninguém está colocado numa escola para a qual não tenha concorrido”,.

PSD diz que tem defendido consensos

O maior partido da oposição esteve representado na cerimónia através do seu presidente, Pedro Passos Coelho, e da dirigente e deputada Teresa Morais, tendo cabido ao secretário-geral, Matos Rosa, falar aos jornalistas.

Vincou que o chefe de Estado "atribuiu fundamental importância à estabilidade política mas também a várias áreas de governação", como a saúde, a educação, a defesa e a segurança. Se Marcelo quer que nessas áreas "haja estabilidade e consensos", o PSD garante que tem colaborado. "É o que temos vindo sempre a defender, nestas áreas que para nós são muito importantes".

O secretário-geral do PSD manifestou ainda satisfação com a aceleração da descentralização defendida pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e mostrou-se alinhado com o discurso do Presidente da República. O PSD queria que a descentralização "tivesse sido concluída antes das eleições".

Em relação ao protesto de professores, considerou que "têm as suas razões" e que "foram corretos", ao terem aguardado o final da cerimónia para se manifestarem.

BE: convocatória "para o essencial"

Já o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, leu no discurso do Presidente da República a defesa de que ninguém pode ficar para trás, numa convocatória "para o essencial" em vésperas de discussão do Orçamento do Estado.

O discurso do Presidente da República alerta o país para a necessidade de nós respeitarmos, por um lado, os preceitos democráticos, como a República obriga, mas, acima de tudo, de não deixarmos ninguém para trás neste caminho que está a ser feito com a recuperação económica".

O líder da bancada bloquista disse que "nas vésperas do Orçamento do Estado" aquele faz uma convocatória "para o essencial": que a melhoria económica "tem, de facto, resultados concretos na vida das pessoas, na melhoria dos serviços públicos, no bolso das pessoas". A esse propósito, reiterou a defesa da alteração dos escalões de IRS e o descongelamento das carreiras da administração pública.

O bloquista deixou, também, "uma palavra de solidariedade" aos professores. Disse perceber "várias das razões que evocam", e defendeu que "mais do que resolver questões pontuais, e há questões pontuais que devem ser resolvidas, há matérias de fundo sobre a estabilidade da vida docente que devem ser levadas por diante".

Pedro Filipe Soares sublinhou ainda que o Bloco tem vindo a defender a realização, em 2018, de "um concurso extraordinário para vinculação de professores".

CDS: Cristas gostou do discurso de Marcelo

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, esteve presente na cerimónia e realçou as mensagens do Presidente da República em áreas fundamentais que o seu partido considera fundamentais, como a justiça e segurança.

Subscreveu também a ideia defendida por Marcelo Rebelo de Sousa de que é preciso reconhecer o que corre bem e o que corre mal, e deu exemplos. Cristas apontou o desemprego como uma das "coisas que corre bem", mas acrescentou:

Eu não posso deixar de destacar, porque este não é um ano igual aos outros, a tragédia de Pedrógão ou o grande embaraço e gravidade de Tancos, para sinalizar que, de facto, noutras áreas as coisas correram mal".

Por outro lado, criticou o processo de execução orçamental. Diz que tem sido marcado por "falta de transparência", com "verbas muito importantes a serem retidas, das áreas da saúde à educação, aos transportes ou à própria segurança".

Sobre o protesto dos professores, considerou que "é compreensível" e que na educação, assim como na saúde, deve haver "maior capacidade de diálogo e de consenso" por parte do Governo face a "expectativas muitas vezes legítimas".

PCP diverge bastante do discurso de Marcelo 

O líder parlamentar do PCP, João Oliveira, assumiu as divergências dos comunistas face a “muitos pontos” do discurso do Presidente.

Foi um discurso que coloca em cima da mesa a apreciação que o senhor Presidente da República faz sobre a situação política nacional, sobre a situação internacional, naturalmente, em muitos pontos diferente e divergente daquela que faz o PCP".

O PCP não entende que "as imposições da União Europeia sejam uma virtude para o país, são um fardo" ou que "a dívida pública seja alguma coisa que está a caminho de se resolver".

"É preciso uma política que vá mais fundo, aos problemas estruturais que o país enfrenta, que rompa com esses constrangimentos. Entendemos que é preciso assumir os défices estruturais que temos, no plano produtivo, no plano energético, científico, alimentar, e também demográfico, tomar as medidas com uma política alternativa que os permitam ultrapassar", concluiu.

João Oliveira defendeu ainda que "tem de ser encontrada uma solução" que garanta a vinculação dos professores que hoje se manifestaram, defendendo que são reivindicações "justíssimas" e que "há mais de dez anos que estes problemas se verificam".