O membro do conselho nacional do CDS-PP Anacoreta Correia, crítico da liderança de Paulo Portas, vai integrar a lista de candidatos a deputados da coligação com o PSD, assim como o antigo futebolista do Benfica António Simões.

Segundo fonte centrista, no início da reunião do seu conselho nacional, esta quinta-feira na sede lisboeta, o líder do movimento Alternativa e Responsabilidade vai figurar em lugar elegível pelo círculo eleitoral de Lisboa nas eleições de 4 de outubro.

Simões, que já tinha sido candidato e eleito para São Bento no período imediatamente seguinte ao 25 de Abril, igualmente pelos democratas-cristãos, vai ser candidato pelo circulo de Fora da Europa, embora os centristas não tenham eleito qualquer dos seus representantes desta forma há quatro anos, devendo portanto constar de um lugar teoricamente não elegível no rol da coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP).
 
Ainda segundo fonte dos democratas-cristãos, que adiantou que o rol do CDS-PP tem 41% de mulheres face aos 30% de 2011, o fiscalista e comentador político Francisco Mendes da Silva também vai figurar entre os candidatos pelo Porto em lugar elegível.

Entre as "caras novas" do rol CDS-PP para a Assembleia da República contam-se ainda Mariana Ribeiro Ferreira, que presidiu ao Instituto da Segurança Social, por Setúbal, a subsecretária de Estado Adjunta de Portas, Vânia Dias da Silva, por Braga, e Ana Rita Bessa, especialista em temas de educação, por Lisboa. O CDS-PP divulgou estes nomes estreantes sem no entanto adiantar em que lugar figuram nas listas.


As confirmações


Como já se sabia, depois de a coligação ter revelado os cabeças de lista e alguns dos primeiros nomes do CDS, o atual secretário de Estado da Administração Interna,  João Almeida, vai ser o primeiro nome centrista na lista de candidatos da coligação com o PSD em Aveiro, lugar habitualmente ocupado pelo presidente e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas.

Pelo círculo portuense, o primeiro candidato centrista é o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social,  Mota Soares, que substitui o anterior cabeça-de-lista,  Ribeiro e Castro, o qual abandonou o parlamento nesta legislatura, seguindo-se o nome da deputada  Cecília Meireles, número três por aquele círculo há quatro anos.

Também já conhecida era a recandidatura a parlamentar da ministra da Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Assunção Cristas, por Leiria, onde já fora cabeça-de-lista. Naquele distrito, a também ministra dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade está no topo do rol da coligação, pelo PSD.

O presidente dos sociais-democratas e recandidato a primeiro-ministro,  Passos Coelho, vai encabeçar a lista conjunta pelo círculo de Lisboa, enquanto Paulo Portas ocupará o segundo lugar dessa lista.

O ministro da Defesa,  José Pedro Aguiar-Branco, vai ser o número um no Porto, seguido do porta-voz social-democrata  Marco António Costa, também coordenador da direção nacional "laranja".

A vice-presidente do PSD Teresa Leal Coelho é a "número um" em Santarém, enquanto a ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, lidera a lista de Setúbal.

 

CDS desvaloriza posto de Assunção Cristas


O vice-presidente do CDS Diogo Feio desvalorizou o facto de uma ministra democrata-cristã concorrer no quarto posto da coligação em Leira, onde o rol é encabeçado por uma secretária de Estado social-democrata. Questionado sobre a posição relativa da ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, face à secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, o dirigente centrista destacou o "acordo negociado com o parceiro de coligação e aplicação do método de Hondt em cada distrito".

"O CDS não ganhou nenhum distrito nas últimas eleições, portanto seria impossível ter um cabeça-de-lista. Teresa Morais foi indicada pelo PSD, foi uma escolha do PSD. Assunção Cristas foi indicada pelo CDS, é uma escolha do CDS. Estamos politicamente empenhados nesta coligação, com grande firmeza e enorme esperança no resultado eleitoral. Isso vale muito mais do que quem vai atrás ou vai à frente e do que contas de mercearia."


O antigo parlamentar centrista justificou ainda a presença de João Almeida como primeiro nome dos democratas-cristãos em Aveiro, a escolha habitual do presidente, Paulo Portas - agora número dois em Lisboa, atrás de Passos Coelho -, com o seu local de nascimento: São João da Madeira, naquele distrito.

João Almeida, atual secretário de Estado da Administração Interna, foi eleito deputado há quatro anos como número dois do CDS no Porto.

"Tem o simbolismo de ser alguém que nasceu em Aveiro. É sempre importante que nas listas vá havendo ligação aos círculos eleitorais. O único sinal que pode ser dado é o empenho para que tudo corra pelo melhor na lista de Aveiro."


O dirigente do CDS tinha ainda destacado a presença do antigo futebolista internacional da seleção portuguesa e do Benfica António Simões como candidato a deputado pelo círculo de Fora da Europa, mas em lugar teoricamente não elegível, e limitou-se a responder que é uma "participação nas listas que muito satisfaz o CDS e a coligação".