O PSD, CDS-PP, Os Verdes e PCP defendeeram, esta quarta-feira, um apoio idêntico para todas as vítimas afetadas pelos incêndios deste ano, num debate em que os sociais-democratas pediram “bom senso” e lamentaram a ausência de iniciativas do PS.

Numa iniciativa do PSD, o plenário da Assembleia da Republica debateu hoje à tarde 30 propostas dos vários partidos políticos, à exceção do PS, sobre incêndios, florestas e apoio às zonas afetadas pelos fogos deste ano, que provocaram mais de 100 mortos e mais de 500 mil hectares de área ardida.

Inicialmente estavam agendadas 42 proposta, sendo depois reduzidas para 40, mas acabaram por estar em discussão apenas 30, tendo a maior parte sido retirada pelo partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN).

O deputado do CDS-PP Telmo Correio defendeu que todas as vítimas dos incêndios têm que “ter o mesmo tratamento”, sublinhando que a lei de apoio às vítimas de Pedrógão Grande tem que ser alargada aos afetados pelos fogos de 15 e 16 de outubro.

Também Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista Os Verdes (PEV), considerou que “não pode haver discrepâncias” entre o apoio às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, a 17 de junho, e aos afetados pelos fogos de 15 de outubro.

Por sua vez, o deputado do PCP João Ramos pediu uma uniformização do apoio às vítimas, explicando que a lei deve ser aplicada a todas as pessoas e concelhos afetados pelos incêndios deste ano, uma vez que esta alteração é “fundamental para eliminar discrepância”.

A deputada do PSD Berta Cabral considerou “inaceitável” que as vítimas dos incêndios tenham tratamentos diferentes, frisando que é necessária uma uniformização de todos os apoios, independentemente onde e quando ocorreram os fogos.

No arranque do debate, o deputado do PSD Fernando Negrão criticou a ausência de iniciativas do PS e pediu “bom senso” no apoio às oito propostas apresentadas pelo partido.

Em resposta, o PS, pela voz do deputado José Miguel Medeiros, afirmou que o conjunto de iniciativas hoje em debate corresponde a medidas que o Governo já está a realizar, criticando o número de projetos apresentados.

“É um verdadeiro exercício de acrobacia parlamentar”, disse, acusando o PSD de “ânsia de aproveitamento político” e de “uma competição desenfreada para ver quem chega primeiro aos telejornais”.

O elevado número de iniciativas foi também apontado pelo PCP, tendo o deputado João Ramos indicado que as propostas agora apresentadas pelo PSD e CDS são “para fazer agora o que não se fez quando era Governo”.

O deputado do CDS-PP Telmo Correia voltou hoje a criticar o facto do relatório do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra sobre Pedrógão Grande não ter sido disponibilizado à Assembleia da República, entidade que fiscaliza a atividade do Governo, já que o documento vai ser enviado para a Provedoria de Justiça.

Em discussão estão oito iniciativas do PSD, nove do CDS-PP, três do Partido Comunista Português, três do Bloco de Esquerda, quatro do PEV e três do PAN.