Manuel Alegre apelou a António Costa para «defender a autonomia estratégica do PS», resistindo aos «cantos de sereia» que querem colocar os socialistas «a reboque» da maioria PSD-CDS.
 

«Como se não bastasse a maioria parlamentar, o Governo e o Presidente da República, parece que querem o PS. A razão principal por que apoio Costa é porque ele saberá defender a autonomia estratégica do PS, ele resistirá aos cantos de sereia, ele não permitirá que o PS se transforme numa muleta da direita ou mesmo num terceiro partido da direita portuguesa».

 
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O histórico socialista lamenta que os socialistas se tenham deixado «colonizar ideologicamente», deixando a direita «vencer sem resistência». Por isso, afirma, agora o PS tem de governar com as suas «ideias» e não com as «de fora».
 

«Não somos um PSD-, somos um PS+. É isso que António Costa fez em Lisboa e vai fazer no país. Essa é diferença de António Costa».

 
Alegre comparou mesmo o atual secretário-geral do PS a Mário Soares, lembrando que, depois do 25 de Abril, também foi necessário «preservar a autonomia estratégica do PS», contra a extrema-esquerda. Agora, «o risco é outro».
 

«É o domínio da lógica neoliberal sobre a Europa, os Estados e a democracia. É a hegemonia do poder financeiro, que pretende libertar a economia da regulação do Estado e colocar o poder do mercado acima do poder do Estado. Hoje, a ameaça é o poder absoluto e incontrolado dos mercados, que tem o seu instrumento em Portugal que é o Governo, que tem também os seus empregados e capatazes da troika que vêm aqui impor a austeridade».

 
Para «restabelecer o património cultural e político» do PS, Manuel Alegre pede a Costa para governar à esquerda, «contra a direita dos interesses». Para isso, e porque há esquerda não há espaço para coligações, pede a maioria absoluta nas legislativas.

«Não é fácil dialogar com partidos da esquerda que não querem fazer parte das soluções de poder. É impensável uma aliança com aquela direita que quase destruiu Portugal. A solução é lutar sem complexos por uma maioria absoluta, é mobilizar os portugueses, os movimentos, os descontentes e dar-lhes uma alternativa».

Para o histórico do PS, é preciso «abrir um novo espaço na sociedade», com as «novas forças que estão a aparecer». Sem referir o Livre, sublinhou que «a casa comum da esquerda democrática é o PS». 

Referindo-se à detenção de José Sócrates, o antigo candidato presidencial elogiou os socialistas por saberem responder a um «forte choque emocional».

«Não era fácil, mas conseguimos. Essa é uma grande vitória política de António Costa. Aqueles que têm outra agenda, desiludam-se. Somos um partido livre e fraterno. Somos um partido que não muda fotografias, somos um partido sem medo. Não estamos ensombrados e não temos medo de fantasmas».


Sobre a situação do país, Alegre sublinhou que «a maior força oposição a este Governo é a dura realidade». E nem Cavaco Silva, que esta semana visitou a Arábia Saudita e abordou a privatização da TAP, escapou: «Alguém devia dizer ao Presidente que Portugal é mais do que cavalos e mulheres bonitas».

O ex-candidato presidencial apelou ainda a António Costa que tenha «outra atitude perante a Europa», com uma «voz livre e inconformada», que «defenda os interesses de Portugal». 

«Deve merecer a reflexão um pacto europeu e nacional para a renegociação da dívida, para libertar o país do Tratado Orçamental, porque desta maneira nunca conseguiremos pagar nem a dívida, nem sair desta situação de recessão».