O deputado socialista Jorge Lacão desistiu da candidatura ao Conselho Superior de Segurança Interna (CSSI), um dia depois de ter falhado, pela segunda vez, a sua eleição pelo parlamento.

O anúncio foi feito pelo próprio, na abertura da sessão de hoje, na Assembleia da República, em que agradeceu ao grupo parlamentar socialista ter proposto a sua eleição, mas disse que desistia depois de duas eleições falhadas.

Para Jorge Lacão, "a melhor forma de servir a dignidade da instituição parlamentar é não insistir numa candidatura em relação à qual a regra não escrita do 'fair play' quanto ao entendimento político partidário havido, não teve concretização suficiente nos votos expressos".

Foi uma votação democrática e as votações democráticas devem ser respeitadas"

O deputado e vice-presidente do parlamento foi aplaudido de pé por parlamentares do PS e alguns do PSD e do CDS-PP.

E como não deseja "fazer parte de um problema", mas sim de uma solução para a qual procurará "concorrer no futuro", o ex-ministro socialista dos Assuntos Parlamentares anunciou a sua desistência.

Apesar do acordo PSD-PS, que incluiu o nome a indicar pelo parlamento para o Conselho Superior de Segurança Interna, na votação de segunda-feira Jorge Lacão obteve apenas 131 votos, dos 150 necessários, num total de 225 deputados votantes.

Segundo o secretário da mesa da Assembleia da República Duarte Pacheco, nesta votação registaram-se 76 votos brancos e 18 nulos.

Na votação de 20 de outubro, num total de 211 deputados votantes, Lacão só obteve 117 dos 141 necessários, nessa votação, para alcançar os dois terços.

Jorge Lacão, entre outras funções, foi ministro dos Assuntos Parlamentares no segundo Governo liderado por José Sócrates e líder parlamentar do PS entre 1995 e 1997.

O Conselho Superior de Segurança Interna é o órgão interministerial de audição e consulta em matéria de segurança interna, presidido pelo primeiro-ministro.

Neste órgão têm acesso os ministros de Estado e da Presidência, da Administração Interna, da Justiça, da Defesa Nacional, das Finanças e das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e os Secretários-Gerais do Sistema de Segurança Interna e do Sistema de Informações da República Portuguesa, além do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e das polícias.