A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, recusou hoje a possibilidade de colocar na agenda um referendo em Portugal sobre a Europa e pediu uma solução célere para a saída do Reino Unido da União Europeia.

"Na perspetiva do CDS este não é tempo de referendar nada, este é o tempo de refletir com profundidade sobre como tornar a Europa mais próxima dos cidadãos", afirmou a líder do CDS-PP, quando questionada sobre as declarações da coordenadora do BE, que disse hoje que se a Comissão Europeia avançar com sanções contra Portugal por défice excessivo o partido colocará na agenda um referendo em Portugal sobre a Europa.

Assunção Cristas, que falava aos jornalistas na residência oficial do primeiro-ministro, à saída de um encontro com António Costa para preparação do Conselho Europeu, que se realiza terça e quarta-feira, recordou a propósito das declarações de Catarina Martins que "quem pede o referendo na Europa são as forças mais extremas, quer de direita, quer de esquerda", noticia a Lusa.

Mas, ressalvou, olhando para o que historicamente tem sido a posição do BE, ao colocar como pressuposto do referendo a aplicação de sanções a Portugal e ao falar apenas numa consulta ao tratado orçamental, "já está a mostrar um bocadinho mais de ponderação".

Reiterando que na, na perspetiva do CDS-PP, quaisquer sanções a Portugal "não fazem sentido, não têm cabimento e são injustificadas", a líder democrata-cristã adiantou ainda acreditar que a "questão não se irá sequer colocar", porque o défice de 2015 ficou abaixo dos 3%.

Relativamente ao Conselho Europeu da próxima semana e à da saída do Reino Unido da União Europeia, Assunção Cristas defendeu uma solução o "tanto quanto possível célere", de forma a não se prolongar em demasia o tempo negocial, mas sem entrar por "linhas mais duras".

"Parece-nos que linhas mais duras que queiram ter uma abordagem punitiva do Reino Unido não são de todas adequadas e não são aqueles que interessam e que servem os interesses de Portugal e dos portugueses", referiu, considerando que Portugal deve estar na linha da frente dos países que defendam "uma relação de proximidade" entre a União Europeia e o Reino Unido.

"Não nos parece que possamos deixar de ter essa relação de proximidade", disse, recordando que Portugal tem com o Reino Unido a aliança política mais antiga do mundo, existem cerca de 250 mil portugueses a viver lá, além de ser o quatro parceiro comercial português.

"Certamente será muito diferente da pertença do Reino Unido à União Europeia (...), mas parece-nos que devemos ter a cautela de encontrar uma solução negocial que, respeitando a decisão do Reino Unido e respeitado aquilo também aquilo que é uma continuidade da União Europeia agora a 27, possa encontrar uma forma de aproximação e de bom relacionamento", sublinhou.

Antes do CDS-PP, o primeiro-ministro recebeu uma delegação do PCP que não prestou declarações aos jornalistas.

Esta tarde serão ainda recebidos o partido ecologista Os Verdes, o Bloco de Esquerda e o PSD.