O antigo chefe de Estado Mário Soares e o ex-candidato presidencial Manuel Alegre recusaram-se a comentar o discurso do Presidente da República no Parlamento, alegando ambos que não o ouviram.

Mário Soares e Manuel Alegre falaram aos jornalistas na sede nacional do PS, em Lisboa, onde está a decorrer uma homenagem promovida pela direção do atual líder socialista, António Costa, aos antigos 141 deputados do PS eleitos para a Assembleia Constituinte.

O fundador do PS, Mário Soares, chegou à sessão acompanhado pelo antigo secretário de Estado da Agricultura e seu "braço direito" em várias direções socialistas, António Campos.

Os jornalistas confrontaram Soares com o apelo ao consenso feito por Cavaco Silva na sessão solene comemorativa dos 41 anos do 25 de Abril na Assembleia da República, e o antigo chefe de Estado respondeu: "Palavra? Olhe, não sabia".

Depois, foi o ex-candidato presidencial Manuel Alegre a também a alegar perante os jornalistas não ter ouvido o discurso proferido por Cavaco Silva na Assembleia da República.

" Estou a festejar o 25 de Abril e isso é uma coisa que me ensombra o 25 de Abril. Portanto, não faço comentários", justificou.

Questionado sobre os apelos ao consenso político feitos pelo Presidente da República, Manuel Alegre referiu apenas que o secretário-geral do PS "já respondeu muito bem" em relação a esse ponto.
 

"Não me apeteceu ouvir o discurso [do Presidente da República]. É um direito que tenho."


Logo a seguir foi questionado sobre o motivo pelo qual não esteve presente na Assembleia da República, na sessão solene comemorativa do 25 de Abril, e Manuel Alegre voltou a responder da mesma maneira: "Não me apeteceu".

"Estou aqui [na sede do PS] a celebrar o 25 de Abril com aqueles que fundaram a democracia. Ok?", declarou, dirigindo-se aos jornalistas.

Quem esteve na Assembleia da República foram os ex-Presidentes Jorge Sampaio e Ramalho Eanes. O primeiro não quis comentar o discurso de Cavaco, mas o segundo admitiu que são necessários entendimentos "no fundamental" e não "em absoluto".