João Torres, o Presidente da Juventude Socialista, afirmou esta segunda-feira no Parlamento que não basta ter um cravo no peito para defender os valores de Abril. Nas comemorações do 25 de Abril, o socialista apontou as desigualdades sociais e a emigração como dois dos principais problemas do país. João Torres vincou que hoje, os portugueses podem encontrar no Governo uma inquestionável vontade de "devolver a esperança a um povo ferido".

"Os portugueses podem hoje encontrar no Governo do seu país uma inquestionável vontade de corrigir as desigualdades, de devolver esperança a um povo ferido, de recuperar para a Europa a sensibilidade de outros tempos."

O socialista referiu-se ao desemprego, à precariedade e à emigração como uma trilogia de negação de direitos sociais. E vincou que os jovens emigrantes são os refugiados da incapacidade económica e social.

"Os jovens emigrantes são os refugiados da nossa incapacidade económica e social."

 

A intervenção mereceu o aplauso das bancadas da maioria parlamentar de esquerda, PS, BE, PCP e Verdes. 

"Cumprir Abril é proporcionar a todos a oportunidade de superar as desigualdades de partida que nos deparamos quando nascemos, independentemente de onde vivemos, de quem amamos e daquilo em que acreditamos."

Antes, Jorge Costa do Bloco de Esquerda, tinha afirmado que Portugal se tornou numa "colónia de dívida", condenada a "castigos medidos à lupa por poderes que ninguém elegeu".

"Quarenta anos depois carregamos o fardo de uma elite fracassada. As famílias da ditadura continuam a fazer-nos perder o que não podíamos desperdiçar."

O deputado bloquista sublinhou o apoio parlamentar inédito dos partidos de esquerda ao Governo socialista de António Costa e vincou que as medidas já incrementadas com o Orçamento do Estado de 2016 "são a melhor homenagem à Constituição".

"A Democracia falou, 40 anos depois. Forças diferentes com mandatos distintos fizeram o caminho do diálogo e escolheram o seu ponto de partida: não pode prolongar-se a devastação dos últimos anos. [...] As decisões tomadas na Assembleia da República nestes últimos meses com a reposição de rendimentos são a melhor homenagem que se podia fazer à Constituição". 

 

Pelo PCP, Rita Rato afirmou que a derrota do PSD e do CDS nas legislativas de 4 de outubro e o seu afastamento do poder significou uma vitoria da Constituição.

"Ao longo dos tempos, a Constituição foi e continua a ser atacada. O ataque aos direitos e aos seu princípios traduziu-se num empobrecimento da vida de milhares de portugueses. A derrota do PSD e do CDS e o seu afastamento do poder significa uma vitória da Constituição."

Os comunistas sublinharam que "temos obrigação de afirmar Abril e afirmar a Constituição".