O PS pediu hoje a convocação de uma conferência de líderes ou reunião sobre as comemorações do 25 Abril, considerando que a pretensão de os capitães de Abril de quererem falar na sessão solene deve ser apreciada.

«A pretensão dos capitães de Abril, representados pela Associação 25 de Abril, de falar na sessão solene do 25 de Abril tornou-se um facto público que a Assembleia da República deve apreciar, em tempo útil», argumenta o líder da bancada do PS, Alberto Martins, numa carta dirigida à presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves.

Na carta, o grupo parlamentar do PS solicita a Assunção Esteves a «convocação de reunião, ou conferência de líderes, com os representantes dos diversos grupos parlamentares, com vista ao acompanhamento das comemorações do 25 de Abril».

A próxima conferência de líderes ordinária está marcada para 23 de abril, dois dias antes da sessão solene na Assembleia da República.

O presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, anunciou na quinta-feira que a associação estará ausente da sessão solene do 25 de Abril no parlamento, depois de a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, ter afastado a hipótese de os militares de Abril usarem da palavra no plenário, que tinham imposto como condição para voltarem a comparecer na cerimónia.

A presidente da Assembleia da República afirmou na quinta-feira que convidou a Associação 25 de Abril para estar presente «e só» na sessão solene comemorativa da revolução, e que se os militares impõem a condição de falar «o problema é deles».

Confrontada com a condição de usar da palavra imposta pelo presidente da Associação 25 de Abril para que os militares de Abril estejam presentes na sessão solene, Assunção Esteves respondeu: «O problema é deles».

No ano passado, a Associação 25 de Abril voltou a não estar presente na sessão solene comemorativa do aniversário da revolução de 1974, como aconteceu em 2012, por considerar que o atual ciclo político está contra os seus ideais e valores.

No ano passado, em comunicado, a Associação justificou a decisão por considerar que «a linha política seguida pelo atual poder político deixou de refletir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril configurado na Constituição da República Portuguesa» e que «o poder político que atualmente governa Portugal, configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores».

A Associação sublinhava que a sua ausência da sessão solene «não visa as instituições de soberania democráticas, não pretendendo confundi-las com os que são seus titulares e exercem o poder».