O ex-Presidente da República Ramalho Eanes afirmou hoje que gostaria de ter presenciado a concentração promovida pela Associação 25 de Abril no Largo do Carmo, mas frisou que o seu «dever institucional» é estar no parlamento.

Ramalho Eanes falava aos jornalistas no final da sessão solene comemorativa dos 40 anos do 25 de Abril na Assembleia da República, depois de interrogado se gostaria de ter estado presente na concentração realizada no Largo do Carmo.

«Como sabem, em relação àquele conjunto de militares, há uma ligação que não é só política, mas é sobretudo afetiva. Gostaria de estar com eles, mas entendi que era minha obrigação institucional estar na Assembleia da República», justificou o primeiro chefe de Estado eleito após a revolução de Abril.

Ramalho Eanes procurou depois desdramatizar as divergências e disse acreditar que há alguns pontos em comum entre as intervenções proferidas no Largo do Carmo e no parlamento, designadamente em matérias como a «defesa das liberdades» e o «processo democrático».

«A democracia é um processo tendo em cada momento um confronto entre a promessa de em liberdade e em autonomia satisfazer as necessidades do homem e o problema de satisfazer na prática essa aspiração. Essa é a questão essencial e o resto, para mim, é acessório», defendeu o general Ramalho Eanes.

Interrogado sobre o teor do discurso de Cavaco Silva na Assembleia da República, designadamente quando sustentou que a democracia não está em perigo, Ramalho Eanes reiterou a sua tese de que a democracia «é simultaneamente uma promessa e um problema».

«É necessário tentar que os problemas tenham uma solução, porque quando se avolumam provocam uma situação de desequilíbrio e até de rutura. Por isso, a democracia é um processo, é uma construção», sublinhou o ex-Presidente da República.