A Assembleia Legislativa da Madeira comemorou esta segunda-feira pelo segundo ano consecutivo o 25 de Abril, com uma sessão solene que esteve interrompida depois de um episódio protagonizado pelo deputado do PTP, José Manuel Coelho.

José Manuel Coelho desrespeitou a indicação da Mesa do parlamento regional e, quando subiu à tribuna para usar da palavra, colocou um chapéu branco, com uma fita preta, e desfraldou uma bandeira da Região Autónoma descaraterizada.

Num dos lados do símbolo da Madeira, o deputado colocou fotos do presidente e vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, Tranquada Gomes e Miguel de Sousa, respetivamente sobre elementos da bandeira do Panamá.

O deputado acabou por colocar de lado os artefactos e informou o presidente do parlamento que iria usar da palavra nos termos regimentais, tendo os trabalhos sido retomados com José Manuel Coelho a afirmar que a Madeira vive “um novo ciclo da inteligência conectiva do ‘trade’ que é não é mais nem menos o desenvolvimento do Centro de Internacional de Negócios e a arte nobre dos políticos da região fugirem aos impostos”.

O deputado independente (ex-PND], Gil Canha, sustentou que a Madeira saiu “há pouco tempo de uma ditadura laranja, que durou 40 anos e está agora a experimentar uma espécie de Primavera Marcelista”, adiantando que a “alegada renovação, no fundo é uma evolução na continuidade do anterior regime autocrático do doutor Jardim”.

Por seu turno, Roberto Almada (BE) considerou que “a autonomia de Abril não se fez para que sobre a Madeira recaia todo um manto de suspeição acerca de eventuais fenómenos de fuga fiscal por parte de empresas sediadas no Centro Internacional de Negócios”, situações que envolvem “os mais altos representantes políticos”.

A deputada do PCP Silvia Vasconcelos disse ser “preciso não deixar adormecer os valores de Abril”, defendendo ser necessário “empreender uma política alternativa”, pois “não basta que se mudem os protagonistas políticos, é preciso uma política diferente”.

O líder parlamentar do PS-Madeira, Jaime Leandro, disse que “a região e o seu povo precisam duma rutura com a austeridade que Passos Coelho aplicou e que Albuquerque [atual presidente do Governo da Madeira] também adotou”, vincando que os madeirenses “continuam à espera do essencial, estão fartos de mera cosmética, estão desiludidos com a falta de soluções”.

Paulo Alves (JPP) disse ser necessário “dar ao povo a capacidade geradora da mudança”, na qual a política “não se submeta ao poder económico, nem ao serviço de interesses privados ou de grupos elitistas”, pondo “fim à promiscuidade entre o poder político e económico”.

Para o líder da bancada do CDS/PP-M, António Lopes da Fonseca, este é o “tempo de comemorar Abril tendo Novembro como horizonte” e “exortou” o PSD a celebrar no parlamento madeirense essa data histórica que “objetivamente permitiu consolidar o processo autonómico em Portugal”.

A deputada da maioria do PSD no parlamento madeirense Fernanda Cardoso reafirmou a vontade do partido de “aprofundar a autonomia” regional, realçando ser “necessário promover uma revisão constitucional que assegure competências claras e definidas em áreas fundamentais para o desenvolvimento económico” da região.