O médico Cândido Ferreira, que apresentou este sábado a sua candidatura à Presidência da República, defendeu a necessidade de acabar “com tanta exploração e tanta austeridade” e fez várias críticas ao atual Chefe de Estado, Cavaco Silva.
 

“Nunca tantos portugueses sofreram tanto, às mãos de tão poucos e sem que o Presidente da República alguma vez tivesse tomado alguma atitude firme em prol do nosso povo."


O médico nefrologista intervinha perante cerca de 200 pessoas, que encheram o salão da Junta de Freguesia de Febres, localidade do concelho de Cantanhede, no distrito de Coimbra, onde Cândido Ferreira nasceu.

“O Presidente da República deverá ser o primeiro a obedecer à lei e a defender a Constituição da República Portuguesa (CRP)”, preconizou, frisando que, “por uma questão de caráter e não de ideologia”, o titular do cargo “deve ser um árbitro e não um jogador, pois representa todos os portugueses e não somente aqueles que o elegeram”.

O candidato às eleições presidenciais de 2016 esclareceu que aceita “ sem reservas” o teor da atual Constituição, que “está impregnada de valores que são património de toda a Humanidade”, considerando que “são justas e equilibradas” as regras de funcionamento do Estado consagradas na lei fundamental.

O antigo presidente da Federação de Leiria do PS disse que vai protagonizar uma “candidatura independente, do povo, com o povo e para o povo, para romper com a política tradicional e sem outras obediências que não sejam o respeito pela lei, pelos princípios e pelos valores” consagrados na CRP.
 

“Uma candidatura responsável e credível, capaz de federar o descontentamento e de granjear apoios, porque as eleições se ganham com propostas sensatas e mobilizadoras."


Quarenta e um anos após a Revolução do 25 de Abril, “em que foi possível construir uma sociedade mais livre, mais justa e mais solidária, os desequilíbrios foram-se instalando na sociedade portuguesa”, lamentou.

“Hoje, nenhum cidadão se encontra a salvo do contra-ataque neoliberal”, referiu Cândido Ferreira, ao salientar que, “vivendo em plena austeridade, os portugueses e portuguesas temem pelo seu futuro, de novo vítimas inocentes, agora à mercê do capitalismo descontrolado e selvagem”.

Cabe ao Presidente da República “ser um protagonista atento ao desenrolar da luta política, gerando consensos e não clivagens, enquanto garantia da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições”, defendeu.

Cândido Ferreira disse que, se for o escolhido dos portugueses, reformará os serviços da Presidência, “visando uma diminuição drástica dos seus custos de funcionamento, que aumentaram quase 200 vezes” desde a Presidência de Ramalho Eanes.
 

“É tempo de dizermos basta a tanta exploração e tanta austeridade. Impressiona, ainda, o silêncio do atual Presidente da República perante a corrupção."


O candidato disse que “a classe dominante parece gozar de amnistia geral”, enquanto “todos os anos passam milhares de jovens pelas prisões, cujo único crime é não poderem pagar pequenas multas”.