O PSD manifestou esta quarta-feira satisfação com as previsões de crescimento divulgadas pelo Banco de Portugal, considerando que são «muito positivas» e dão suporte ao cenário macroeconómico inscritas pelo Governo no Orçamento do Estado para 2015.

Numa declaração à comunicação social, na Assembleia da República, o deputado do PSD Nuno Reis assinalou que este ano também o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão Europeia já vieram «corrigir em alta as suas previsões e aproximar-se do cenário macroeconómico previsto pelo Governo».

O Banco de Portugal atualizou hoje as suas projeções para a evolução da economia portuguesa nos próximos três anos, prevendo que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 1,7% em 2015 (em vez dos 1,5% projetados em dezembro), 1,9% em 2016 (acima dos 1,6% previstos anteriormente) e 2% em 2017.

No Orçamento do Estado para 2015, o Governo inscreveu uma previsão de 1,5% de crescimento do PIB este ano.

«Quando o Governo apresentou o cenário macroeconómico do OE2015, foi por muitos apelidado de irrealista. E na realidade, já depois disso, este ano, assistimos ao FMI a corrigir em alta as suas previsões e aproximar-se do cenário macroeconómico previsto pelo Governo. Assistimos depois à Comissão Europeia também a rever em alta as suas projeções de crescimento da economia portuguesa até acima daquilo que o Governo tinha previsto. E agora assistimos também ao Banco de Portugal a projetar um crescimento para a nossa economia acima do que o Governo tinha previsto», referiu Nuno Reis.

«Estamos, pois, satisfeitos com estes dados», acrescentou o deputado do PSD.

Dúvida é se crescimento em 2015 vai ser de 1,5%, 1,7% ou 2%

O deputado do CDS-PP Filipe Lobo d'Ávila defendeu que Portugal melhorou face a 2011, entrou num «ciclo de recuperação» e que a dúvida é se a economia portuguesa em 2015 «crescerá 1,5%, 1,7% ou mesmo 2%».

No dia em que o Banco de Portugal reviu de 1,5% para 1,7% a sua projeção de crescimento para este ano, Filipe Lobo d'Ávila sustentou que a questão que se coloca agora é «se o crescimento económico vai ser satisfatório, melhor ou até bom» e que se passou «de previsões sistematicamente negativas para previsões sistematicamente positivas».

O ex-secretário de Estado da Administração Interna assumiu estas posições numa declaração política em plenário, em que invocou o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, referindo que este apontou Portugal como «testemunha da recuperação da zona euro», e afirmou: «Draghi tem razão».

A avaliação positiva que o deputado do CDS-PP fez da evolução do país nos últimos quatro anos foi contestada por toda a oposição.

Filipe Lobo d'Ávila reclamou que, depois do «colapso de 2011», o Governo PSD/CDS-PP devolveu a Portugal a estabilidade e autonomia financeira, a confiança e credibilidade internas e externas, deixou para trás cenários de um «segundo resgate», de uma «espiral recessiva» e um «desemprego galopante», e começou a restituir rendimentos aos portugueses. De facto, estamos muito melhor do que em 2011», concluiu.

«António Costa também tem razão. Portugal está hoje melhor do que em 2011», acrescentou, numa alusão às declarações do secretário-geral do PS de agradecimento aos investidores chineses pelo «grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquela em que estava há quatro anos».

O PS, através do deputado João Galamba, contrapôs que a economia portuguesa está a crescer com base na procura interna «diabolizada» pela maioria PSD/CDS-PP e que foram as políticas do BCE que resultaram na revisão em alta das previsões de crescimento no conjunto da União Europeia.

António Filipe, do PCP, desafiou Filipe Lobo d'Ávila a fazer esse discurso «lá fora» para os portugueses e a convidar os jovens que emigraram a regressar, dizendo-lhes «que o país está melhor», para verificar «as respostas que ouve".

José Luís Ferreira, do Partido Ecologista «Os Verdes», disse que após quatro anos de governação PSD/CDS-PP a economia está «de rastos», o desemprego, a emigração e a dívida pública aumentaram e a pobreza atingiu «limites escandalosos» e as medidas temporárias que retiraram rendimentos aos portugueses não terminaram.

O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, alegou que o Serviço Nacional de Saúde piorou face a 2011, assim como a educação pública, o desemprego e o nível de impostos, que a emigração «que só se compara com a dos anos 60» e que houve um «recuar de décadas» na economia, concluindo: «De que país é que nos fala? Portugal 2015 não é de certeza».

Na semana passada, o Conselho de Finanças Públicas previu que Portugal deverá crescer 1,6% este ano. O FMI antecipou um crescimento de 1,5%, enquanto a Comissão Europeia apontou para um crescimento de 1,6% no início de fevereiro.

Por sua vez, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, perante o conselho da OCDE, em Paris, na semana passada, considerou que «a recente quebra do preço do petróleo e a depreciação do euro poderão conduzir a uma revisão em alta da taxa de crescimento para 2015, para valores em torno de 2%».