A eurodeputada socialista Ana Gomes enviou esta quarta-feira uma carta de protesto sobre a expulsão da ativista portuguesa Isabel Lourenço do Saara Ocidental à Alta Representante para a Política Externa e de Segurança da União Europeia, Federica Mogherini.

Ana Gomes expressa «incompreensão face à atitude das autoridades marroquinas» e pergunta se a Alta Representante da UE «tenciona expressar publicamente a sua condenação desta expulsão», disse a eurodeputada à agência Lusa, num contacto telefónico.

Isabel Lourenço, coordenadora europeia para o apoio aos presos saarauis da associação Adala, com sede no Reino Unido, foi expulsa na segunda-feira do território anexado por Marrocos, onde se deslocou para assistir, enquanto observadora internacional, ao julgamento do jornalista da RASD TV (televisão da República Saaraui), Mahmoud El Haisan.

No aeroporto de El Aaiun, a ativista foi considerada persona non grata, agredida e levada à força para o avião que a traria de volta a Casablanca, disse Isabel Lourenço aos jornalistas, à chegada a Lisboa.

Ana Gomes, que é membro do intergrupo europeu sobre o Saara Ocidental, refere na carta dirigida a Federica Mogherini que as autoridades marroquinas têm expulsado regularmente estrangeiros que querem visitar o território, recordando que em março de 2013, quatro eurodeputados em missão a El Aaiun foram impedidos de a cumprir.

A eurodeputada do PS considera «inaceitável» este comportamento das autoridades de Marrocos face à intensificação das relações do país com a UE, no âmbito da Política Europeia de Vizinhança e dos acordos existentes, defendendo que a expulsão de observadores externos nos territórios ocupados por Marrocos tenha «consequências políticas ao nível das relações entre a UE e Marrocos».

Ana Gomes questiona ainda Federica Mogherini sobre «se vai pedir às autoridades marroquinas que atuem de acordo com as suas obrigações em matéria de direitos humanos e no quadro da cooperação com a União Europeia».

A antiga colónia espanhola do Saara Ocidental foi anexada por Marrocos em 1975.

A Frente Polisário, apoiada pela Argélia, reivindica a independência do território através de um referendo de autodeterminação, enquanto Marrocos defende uma ampla autonomia.