Dia cheio e em cheio para a coligação Portugal à Frente. É mais Portugal de lés-a-lés e agora a comitiva está no "lés" mais favorável. Bragança é social-democrata, Vila Real é terra de Passos Coelho. E Chaves é cidade de boa memória: há 4 anos foi ali que pediu e teve uma maioria absoluta.

Para já, fica-se pela maioria clara, pela necessidade de “estabilidade”, e até pela abertura para acordos pós-eleitorais com “todos os partidos” e foi Portas a fazer a despesa dessa tal maioria: em Chaves, no fim de uma arruada que deixou a Rua Direita bem cheia.

Partilham deveres e tarefas, e Portas fala no fim do passeio, em cima de um banco, com Assunção Esteves, flaviense de gema. Uns jotas ensaiam em uníssono a maioria, a vitória, e o líder democrata-cristão aproveita a deixa: para isso, para a maioria, "é preciso que falem, que expliquem o nosso projeto", para que ele chegue a mais.

O hino de campanha, que toca em "loop" em cada concentração do PAF, diz mesmo isso: "Somos cada vez mais", diz a música, que garante que os portugueses não querem "voltar atrás". Na variação musical, também se ouve "porque estamos juntos": juntos PSD e CDS.

As campanhas aproximam as pessoas e o duo Pedro e Paulo passa os dias junto a liderar a coligação. E por isso a música escolhida pela tuna académica, no Politécnico de Bragança, fica bem aos dois, que a ouvem lado a lado. Passos não resiste e canta também.

Depois já no almoço-comício de Mirandela, explicou o porquê desta campanha que vai em crescendo, que parece ter uma nova dinâmica, que está bem à frente do arranque oficial, demasiado fechado em salas e palestras, sem o colorida da rua. É que os "bichos esquisitos" que apoiam este governo estão a perder o receio de afirmar publicamente que votam PSD/CDS. Porquê? " Porque sabem que são cada vez mais".

E por estas bandas são mais. São mais militantes e simpatizantes, daqueles que mesmo irritados com o facto de a pensão de sobrevivência ter sido cortada, porque não pode acumular com a pensão de viuvez. Margarida tem 76 anos toma conta dos netos, toma conta do filho.

"Não arranja trabalho. Também não pode fazer de tudo, que ele é doente". E com tantas dificuldades financeiras - garante - vai à Santa Casa da Misericórdia de Macedo de Cavaleiros buscar leite, arroz e massa, azeite e conservas. E é lá que está, de sacos aos pés, a fazer tempo para ver chegar Passos Coelho. "Mas vai votar PSD?", pergunto depois de tal descrição.

"Claro, nunca pus a cruz noutra coisa. Nem ponho. Que aquela gente do PS é o que se sabe. Mas deviam arranjar empregos. Não há empregos em Bragança. Só os estrangeiros é que conseguem emprego". Porquê?, pergunto. "Porque trabalham em tudo".

A imagem do distrito alastra-se ao país, e é por isso que Portas sabe que é ali que deve de novo falar da criação de emprego: "se querem um país a crescer, a criar emprego" então escolham o que é "certo".

Já Passos Coelho tinha antecipado a ideia ao almoço:

"Não tem nada de errado apostar no que deu certo. Errado é apostar no que já deu errado".


E o que sente o chefe do Governo nas ruas por onde passa: "que agora as pessoas estão mais desinibidas em dizer o que pensam: estão mais descansadas, porque afinal aquilo que pensavam consigo próprias [vou votar PAF]  era afinal o que pensava a maioria de Portugal".

Valpaços não deixa passar o desejo em claro: 

  Da maioria só se saberá no dia 4 de outubro, mas que em Vila Real a maioria está com Passos Coelho, isso é facto: é filho adotivo da terra, "é o nosso menino", diziam aqui aos jornalistas duas funcionárias públicas.

E é aí que tem lugar o primeiro comício ao ar livre, numa praça no centro de Vila Real. A mesma onde António Costa saltou no palco. E que está agora a começar. A rua que leva até à igreja está cheia. Só os ecrãs gigantes permitem que lá ao fundo se consiga vislumbrar os candidatos.