Onze anos depois, António Costa regressou ao Parlamento e as suas primeiras palavras foram para o candidato derrotado à presidência da Assembleia da República. 

Nesta sexta-feira, quebrando-se uma tradição na democracia portuguesa, não foi um deputado do partido mais votado o escolhido para presidir ao Parlamento e ocupar o cargo da segunda figura do Estado. Ferro Rodrigues ganhou a Fernando Negrão ao obter 120 votos, a maioria dos 230 deputados do Parlamento.

“Uma palavra especial ao senhor deputado Fernando Negrão”, começou por dizer.

“Em democracia, o mérito resulta da qualidade e da convicção e da dignidade com que cada um trava o combate político”.


“Saúdo a dignidade com que Fernando Negrão trava o combate político”, reforçou o secretário-geral do PS, que dedicou o resto da sua intervenção a elogiar o socialista eleito. “Saúdo Ferro Rodrigues pela eleição à primeira volta para o cargo” com uma “maioria muito expressiva”.

Para António Costa, “a Assembleia da República expressou, de modo inequívoco, a vontade de que esta legislatura seja de mudança, uma legislatura de mudança e de construção”.

“É muito importante que esta primeira votação tenha sido feita por voto secreto. É uma votação que assegura a mais pura liberdade no exercício de cada um de nós do mandato responsável que cada um de nós recebeu dos portugueses”.


Já à saída do parlamento, o secretário-geral do PS sublinhou que a eleição do socialista Ferro Rodrigues confirma que há uma nova maioria parlamentar em torno da mudança de políticas e que a maioria PSD/CDS-PP acabou.

"Essa maioria [PSD/CDS-PP] acabou no dia 4 de outubro e hoje ficou bem claro que essa maioria acabou."


O líder socialista disse também esperar que a maioria que hoje se uniu em torno da eleição do Presidente da Assembleia da República "se expresse também na aprovação e apoio de um governo que possa governar com estabilidade", executivo esse que responda a uma vontade de "mudança" mas que garanta também "o cumprimento dos compromissos internacionais".

"Mais uma vez foram sinalizadas e criadas boas condições para que a vontade maioritária dos portugueses possa ter efetiva tradução nesta Assembleia da República e assim possa decorrer esta legislatura", declarou António Costa, reforçando que o líder do PS, Pedro Passos Coelho, "não dispõe de condições para ter uma maioria que o apoie" no parlamento.