O secretário-geral do PS, António Costa, criticou hoje a "fúria privatizadora imparável" do Governo e contrapôs a visão de Estado "forte, inteligente e descentralizado" dos socialistas à "lógica de enfraquecimento" defendida pela direita.

Numa intervenção no encerramento da conferência "Administração Pública. Fortalecer, Simplificar, Digitalizar", organizada pelo PS, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, António Costa centrou o discurso nas funções do Estado, reiterando as críticas à coligação PSD/CDS-PP e à desvalorização do papel do Estado, que já atingiu mesmo as suas funções centrais, como a defesa nacional, a segurança interna e a administração da Justiça.

Sublinhando que a desvalorização das funções sociais do Estado é "absolutamente negativa" para a confiança dos cidadãos e que o investimento público é essencial para dinamizar e desenvolver outras atividades, designadamente do setor privado, o líder socialista considerou "um erro perigoso para o país a contínua desvalorização do Estado que este Governo fez".

"Uma das linhas distintivas entre nós e a coligação de direita é que nós acreditamos num Estado forte", pois, acrescentou, um Estado forte é aquele que garante a soberania, segurança, justiça, igualdade de oportunidades e também "aquele que empreende e que, empreendendo, ajuda a desenvolver o conjunto da economia de uma forma sustentável".


E, continuou, para o Estado ser forte a primeira coisa que tem de fazer é "aligeirar-se daquilo de que não precisa".

"Não é privatizar aquilo que se deve manter, é libertar-se daquilo que não faz falta", frisou, lamentando que o atual Governo tenha interrompido o programa "Simplex".


Em contrapartida, "a fúria privatizadora é imparável", acrescentou, apontando as privatizações como "um bom exemplo e uma boa ilustração" do que foi governar "além da ‘troika'".

Recordando que o memorando inicial previa um programa de privatização para se obter uma receita total de quatro mil milhões de euros, o líder socialista referiu que o Governo já "conseguiu uma proeza muito além da ‘troika'", tendo um encaixe de oito mil milhões euros.

"Ainda assim não desistiu de prosseguir a sua fúria privatizada agora com a TAP, amanhã com as águas e depois de amanhã sabe-se lá com quê", argumentou.


Insistindo na ideia de que o Estado deve ser "forte, inteligente e descentralizado, António Costa admitiu sempre ter acreditado na descentralização.

"Mas, depois de ter sido três vezes ministro e oito anos presidente de câmara não tenho a menor das dúvidas de que o Governo ganhará muito em que eu possa hoje levar para o Governo a experiência que acumulei em oito anos de presidente de câmara", declarou.