Portugal cedeu um diplomata a Espanha, que apoiará a missão de Madrid na Organização das Nações Unidas (ONU) durante a sua permanência no Conselho de Segurança em assuntos relacionados com África.

Numa conferência de imprensa no final de um encontro de trabalho, em Lisboa, o ministro dos Assuntos Exteriores e da Cooperação espanhol, José Manuel García-Margallo, afirmou que o lugar de Espanha como membro não permanente no Conselho de Segurança da ONU, no biénio 2015-2016, é «partilhado entre as duas representações permanentes em Nova Iorque» de Portugal e Espanha.

«Estamos em permanente contacto para saber quais são as preocupações, os interesses e os objetivos que Portugal quer que cumpra o Conselho de Segurança», disse, acrescentando: «Provavelmente teremos de tratar de algum assunto complicado nos próximos tempos».

O governante espanhol, que hoje também foi recebido em Lisboa pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, agradeceu o apoio de Portugal e dos países de expressão lusófona na candidatura de Madrid ao mandato no Conselho de Segurança.

Pela sua parte, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, declarou que Portugal está «pronto a trabalhar com Espanha no seu atual mandato no Conselho de Segurança das Nações Unidas para resolver os problemas da região».

O ministro português aproveitou para «agradecer a gentileza» do convite de Espanha para que a diplomacia portuguesa coopere na sua embaixada junto das Nações Unidas.

Os dois responsáveis dos Negócios Estrangeiros debateram os conflitos no Médio Oriente, nomeadamente o avanço dos 'jihadistas', com García-Margallo a afirmar que a situação na Líbia, pela proximidade à Europa e pela sua influência no norte de África, é a mais preocupante.

«Na Líbia, a atuação não é uma questão de meses, é provavelmente uma questão de semanas», considerou o ministro espanhol.

Face à «deterioração da situação na Líbia», onde o movimento extremista Estado Islâmico está a avançar, Rui Machete declarou o apoio de Portugal aos «esforços e negociações para ser rapidamente formado um governo de unidade nacional» naquele país.

«Foi para reforçar o nosso empenho nesta questão que nomeei a nossa embaixadora em Tripoli como enviada especial para a Líbia», salientou.

O chefe da diplomacia portuguesa insistiu na necessidade de a Europa rever a sua política europeia de vizinhança com o sul.

«A situação que se vive na vizinhança sul da União Europeia leva-nos a considerar como muito relevante o reforço do relacionamento com o Magrebe e a querer estabelecer uma maior cooperação nas áreas da segurança, das migrações, da energia e das questões ligadas à juventude», considerou.

Quanto à situação na Ucrânia, Machete afirmou que «continua a merecer a maior preocupação», embora «haja algumas ténues esperanças de que [o acordo de] Minsk-2 possa dar alguns resultados».

«É urgente encontrar uma solução politicamente duradoura para o país, estável e que permita ganhar tranquilidade naquela região», sustentou.