O ex-ministro da Administração Interna Miguel Macedo pediu à presidente da Assembleia da República o levantamento da imunidade parlamentar. O antigo ministro escreveu uma carta a Assunção Esteves, esta terça-feira, solicitando a sua audição no âmbito do caso dos vistos gold. O documento foi reencaminhado para a comissão parlamentar de Ética, confirmou à Lusa fonte do seu gabinete.

«Deu entrada ontem [terça-feira] e foi reencaminhada para a comissão de Ética. Seguiu-se o procedimento normal.»


No documento enviado, Miguel Macedo expressa a sua disponibilidade para esclarecer o que for preciso,  de acordo com o «Diário de Notícias», que cita uma fonte parlamentar. O deputado social-democrata considera que «o seu bom nome e a sua honra têm sido manchados», segundo a mesma fonte.

Depois das detenções da operação Labirinto, que levaram à sua demissão, em novembro, Macedo também terá enviado uma carta, mas à Procuradoria-Geral da República (PGR), pedindo a sua audição, que acabou por não ser promovida.

Na sexta-feira, surgiram informações na imprensa de que o Ministério Público tinha pedido o levantamento da imunidade parlamentar do deputado e que este seria constituído arguido no caso. Mas a notícia foi entretanto desmentida pela PGR, que garantiu que esse pedido não feito.

O deputado do PSD reafirmou, no mesmo dia, no Parlamento, a sua disponibilidade para ser ouvido, recusando tecer mais comentários sobre o caso.

«Eu não tenho mais nada a acrescentar em relação àquilo que disse e evidentemente reafirmo a disponibilidade para esclarecer aquilo que for entendido que deve ser esclarecido.» 


Miguel Macedo estará implicado no processo vistos gold pelas suspeitas do crime de prevaricação de titular de cargo político. O seu nome está, de acordo com a imprensa, ligado a  pedidos para facilitar a entrega dos vistos a cidadãos chineses  e à facilitação na atribuição de vistos para cidadãos líbios que pretendiam fazer tratamentos médicos em hospitais privados portugueses.