A candidata apoiada pelo BE às eleições presidenciais, Marisa Matias, acusou esta segunda-feira o Presidente da República de ter ajudado o anterior Governo a encobrir a situação do Banif para que a "bomba-relógio" explodisse já nas mãos do novo executivo".

"Não há nenhum português nem portuguesa que acredite que o Presidente da República não estava a par desta situação. Toda a gente sabe que estava a par e o que fizeram foi carregar uma bomba relógio que saberiam que iria rebentar a qualquer momento, mas transferi-la para o Governo seguinte", disse Marisa Matias numa declaração na sede do BE sobre a situação do Banif.

Num discurso muito crítico à atuação de Cavaco Silva, Marisa Matias considerou que o Presidente da República "sabia perfeitamente o que se estava a passar e ajudou a encobrir esta situação e a empurrar com a barriga", ajudando o Governo então liderado por Passos Coelho "a carregar esta bomba relógio" para "garantir que explodiria já nas mãos do novo Governo e não do anterior".

"Assistimos a mais um momento da farsa que vivemos nos últimos anos de que o que foi feito tinha servido para arrumar a casa e para garantir a estabilidade e a consolidação das contas públicas", criticou, considerando que "os portugueses e as portuguesas estão fartos de resgatar bancos".

Questionada sobre a decisão do Governo liderado por António Costa, a candidata presidencial apoiada pelo BE considera que "a solução que veio agora já devia ter vindo há três anos, pelo menos", recordando que "houve oito propostas de resolução que foram apresentadas pelo Banif às instituições europeias e que o Governo anterior pura e simplesmente ficou imune a qualquer uma delas e escusou-se a intervir".

"Quando falamos desta solução estamos a falar sobretudo da ausência de soluções que eram devidas ao longo de três anos e foi um empurrar de barriga sistemático, meramente por taticismos eleitoralistas e por conivência entre PR e o Governo para tentar fazer passar para a próxima etapa", justificou.

A eurodeputada sublinhou ainda que daquilo que foi informada "não haverá lesados do Banif desta vez como houve, por exemplo, relativamente ao BES", considerando que "há mais transparência na forma como o processo está a ser conduzido".

Sobre aquele que deverá ser o voto do BE no parlamento na quarta-feira relativamente ao Orçamento Retificativo, Marisa Matias foi perentória: "O Bloco falará por si".

Para Marisa Matias, a solução do caso não cabe ao Presidente da República, destacando que os portugueses estão "mal habituados" e acham que este tipo de soluções cabem ao chefe de Estado "porque tivemos um Presidente da República que andou 10 anos a proteger os seus".

"Tivemos um Presidente da República muito interventivo do lado errado. Ele tem que exercer a sua magistratura de influência na articulação entre os diferentes setores da sociedade", defendeu.

"Precisamos de encontrar soluções que deixem de onerar os contribuintes e precisamos de uma vez por todas de ter uma Presidente da República que seja o garante da estabilidade de vida das pessoas e não dos interesses económicos", disse.