O eurodeputado do PSD Paulo Rangel desafiou esta quarta-feira o Partido Socialista a explicar "como é que faz uma aliança com o PCP", um partido que continua a propor na Europa a criação de fundos para apoiar uma saída negociada de Portugal da zona euro e da moeda única.

"Gostava que o Partido Socialista nos explicasse como é que faz um acordo com um partido que está na Europa, neste momento, a propor a saída de Portugal do euro. Portanto, o PCP não abandonou, nem sequer pôs entre parêntesis, nem sequer suspendeu a sua reclamação de que Portugal saia do euro. O PCP está a tomar medidas práticas no Parlamento Europeu, que vão ser votadas para a semana, para tirar Portugal do euro", declarou Paulo Rangel no Congresso do Partido Popular Europeu, que decorre até quinta-feira em Madrid.

Para o eurodeputado do PSD, é uma "contradição" que "o Partido Comunista Português diga que apoia uma solução de governo de esquerda [com o PS e do Bloco de Esquerda] e que abdique da saída do euro", mas "apresenta no Parlamento Europeu uma proposta para se criar um fundo de apoio à saída negociada do euro, de Portugal e de outros países".

"Gostava que esta contradição fosse explicada. O PCP tem de explicar e o PS também tem de explicar".


Para Paulo Rangel, a responsabilidade da situação política que se vive em Portugal - com uma vitória sem maioria absoluta da coligação PSD/CDS-PP - a abrir a porta a uma maioria de esquerda no parlamento - pertence sobretudo ao PS.

Como ninguém em Portugal acredita que o PCP ou o Bloco possam "viabilizar um governo da Coligação [PSD/CDS-PP]", então "a responsabilidade está aqui no PS. [Está em saber] Se o PS é um partido do bota-abaixo, que não quer viabilizar a solução que ganhou as eleições e quer unir-se a partidos com os quais tem contradições essenciais".

Paulo Rangel acrescentou que o PS não tem tido sentido de Estado até ao momento.

"Ficou claro que o PS andou a brincar às negociações com a coligação. Fez ‘bluff’ com a coligação, porque quer salvar o seu secretário-geral. E para o salvar politicamente quer fazer dele primeiro-ministro à viva-força, mesmo que isso implique aliar-se com o PCP, que está hoje no Parlamento Europeu a defender a saída de Portugal do euro", reiterou.

Por último, e questionado sobre se o PS estará unido em torno da linha do seu secretário-geral, António Costa, Paulo Rangel preferiu salientar que "há muitos dirigentes socialistas que estão contra esta posição de sedução que o PS está a procurar junto da extrema esquerda e da esquerda radical, que é anti-europeia, anti-euro, anti-NATO".

"Sabemos que há muitos dirigentes socialistas com bom-senso, que percebem que isto prejudica o país em primeiro lugar e o próprio PS em segundo", concluiu.