O PCP alertou este domingo para uma "retoma formal ou informal" do Bloco Central e fala de uma "onda de populismo" acerca da lei do financiamento dos partidos, na qual inclui o Presidente da República.

"O Comité Central do PCP alerta e denuncia o desenvolvimento de projetos reacionários que, quer a partir das forças do grande capital e dos setores políticos a elas associados no PSD, no CDS, mas também no interior do PS, quer com recurso à criação e promoção de soluções populistas ou à retoma formal ou informal do chamado Bloco Central, visam intensificar a exploração e retomar o rumo de liquidação de direitos", defendeu o secretário-geral comunista.

Nas conclusões da reunião do órgão máximo do PCP entre congressos, Jerónimo de Sousa respondeu aos jornalistas que a "eleição do novo presidente do PSD, tendo em conta até declarações feitas", demonstra o alerta feito.

"Pensamos que, com um bloco central mais ou menos formal, com o PS sozinho ou acompanhado por qualquer dessas componentes, o que pensamos é que não permitirá esta perspetiva de evolução positiva no plano da reposição de rendimentos e direitos."

Questionado sobre as "soluções populistas" a que se refere o PCP, Jerónimo de Sousa respondeu que a lei do financiamento dos partidos é "um exemplo paradigmático" e apontou à posição do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que vetou politicamente o diploma, devolvendo-o ao parlamento.

"É uma consequência. O Presidente da República vetou e enviou o texto para a Assembleia da República, sendo de sublinhar que não tinha qualquer reserva constitucional às alterações".

"Então qual foi a razão objetiva, não havendo inconstitucionalidades, que o levou a vetar e a reenviar essa lei para a Assembleia da República? É uma pergunta que, naturalmente, tem de ser respondida pelo Presidente da República", sustentou.

O PCP está disponível para reconfirmar a lei vetada, ressalvando que a necessidade de uma maioria qualificada coloca o ónus no PSD (o PS já anunciou que confirmará o diploma).

O líder comunista vincou que, "mesmo no quadro de uma onda de populismo", o partido não altera a sua "posição séria e responsável", ao "contrário de outros, que parece que ficaram um bocado assustados com a dimensão da ofensiva".

Catarina Martins também fala do Bloco Central

Também este domingo, a coordenadora do Bloco de Esquerda acusou o presidente eleito do PSD, Rui Rio, de ser "a voz da direita conservadora" que "quer voltar ao bloco central" e ao" monopólio do negócio".

O recém-eleito líder do PSD “é, precisamente, a voz dessa direita conservadora, dessa direita dos negócios que quer voltar ao bloco central, ao monopólio do negócio, que faz com que o poder político se vergue sempre face ao poder económico", afirmou.

Discursando em Fafe num encontro em que foi discutida a política florestal, Catarina Martins defendeu que o BE tem construído "um caminho que é difícil" para "uma economia mais justa, que responda melhor pela vida das pessoas, que tenha um país menos desigual".

"E isso são escolhas económicas que afrontam sempre o poder económico: é assim na floresta, como é assim em tudo", destacou, acrescentando: "A direita está incomodada, porque sabe que, cada vez que nós conseguimos que as pessoas que aqui vivem, que aqui trabalham, vivam um bocadinho melhor, significa que temos a coragem de afrontar os grandes interesses económicos que têm mandado sempre no país".

Para a dirigente partidária, "não é por acaso que a direita tem um incómodo crescente com a existência de acordos que à esquerda também influenciam e determinam parte da ação do Governo".