Desde 2014, o PCP tem feito uma espécie de renovação dos seus «cadernos eleitorais», atualizando dados de militantes, com direito a um novo cartão, além do recrutamento de novos membros, que já alcançou 1.700 pessoas, segundo o partido.

O Comité Central comunista decidiu em dezembro de 2013 realizar uma «ação de contacto com os membros do partido para elevação da militância, entrega do novo cartão e atualização de dados» por todo o país, que está «perto de acabar» para três elementos da região de Lisboa envolvidos na iniciativa e entrevistados pela Agência Lusa.

Fernando Bárbara, 53 anos e dedicado à junta de freguesia dos Olivais, Isabel Quintas, 62 e encarregue dos trabalhadores da função pública, e Catarina Teixeira, 25 e pertencente ao denominado «setor intelectual», são uma amostra das centenas de militantes que se dedicaram a confirmar números de telefone, endereços eletrónicos e físicos, situações profissionais, disponibilidades e apetências naturais para tarefas de milhares de outros membros.

Ao mesmo tempo, o PCP organizou a campanha de adesão «os valores de Abril no futuro de Portugal» com a pretensão de atingir 2.000 novos membros até ao próximo aniversário da "Revolução dos Cravos" - faltam cerca de 300 para concretizar o objetivo.

«Trata-se de enquadrar os outros camaradas nas atividades, de reformados a jovens ainda em idade escolar, numa grande transversalidade etária, levando a cada um as opiniões do partido. Em muitas situações, como já não havia morada nem contacto, tivemos de ir à casa das pessoas, sempre bem recebidos, apesar de circunstâncias complicadas de desemprego, isolamento, dificuldades para transportes e até alimentação», contou Catarina Teixeira, destacando a «emigração ou ocupações desqualificadas» como os problemas dos mais jovens.

Isabel Quintas sublinhou que as ações de contacto proporcionaram a renovação de dados desatualizados, pois «muitas pessoas saíram da função pública, aposentaram-se ou foram mesmo deslocalizadas».

«Passam a contribuir mais e melhor em termos de militância. Por exemplo, uma pessoa reformada pode ter mais tempo e uma pessoa entretanto com uma doença crónica terá menos disponibilidade. Outros, que se formaram ou viveram novas experiências, podem dar contributos mais válidos que até aí não eram tidos em conta», explicou.

As colaborações dos militantes «podem assumir diversas formas: distribuir propaganda, elaborar documentos, construir a festa do «Avante!", organizar outros eventos e sessões públicas», entre outras.

«Se for uma pessoa introvertida, claro que não será a escolhida para falar com as pessoas e distribuir panfletos. Tentamos que os gostos e características pessoais sejam atendidos. Cada camarada tem de estar feliz e satisfeito com as tarefas que desempenha», esclareceu.

Segundo Fernando Bárbara, a campanha serviu para «contactar mais profundamente camaradas que não tinham uma ligação tão regular e também com muitas pessoas que não eram militantes e isso significou mais recrutamentos também», como cita a Lusa.

««As pessoas sentem uma revolta muito grande e querem participar, contrariamente ao que se diz, que andam desanimadas. Querem lutar contra isto, até pessoas com muita idade querem estar e envolver-se, dentro das suas possibilidades», afirmou, antes de contar um episódio que o deixa orgulhoso.

«A seguir à última Festa do ‘Avante!', montámos dois pontos de venda do jornal, todas as quintas-feiras, no mercado da Encarnação e no Olivais Shopping. O facto é que aumentámos as vendas e há um conjunto de pessoas, curiosamente mulheres, que estão lá sempre. Veem a primeira página, folheiam, comentam, embora muitas não comprem, mas o importante é estarem ali, com as outras, na conversa, a partilhar ideias, conviver, à custa do ‘Avante!'», congratulou-se.

A esmagadora maioria dos militantes do PCP, incluindo os 1.700 membros mais recentes, já receberam o novo cartão de plástico, com espaço para o nome, um código de barras identificativo, a referência multibanco para o pagamento da quotização e o espaço para a respetiva senha comprovativa. No verso, figura uma foto de bandeiras comunistas sobre uma multidão em festa.