O ex-presidente da Câmara do Porto Rui Rio afirmou que faz “todo o sentido” o PSD e CDS-PP irem coligados às próximas eleições legislativas para dar continuidade à governação.

“Acho que faz todo o sentido os dois partidos irem coligados [às eleições legislativas], na exata medida em que fizeram esta governação de quatro anos e para lhe dar continuidade, naturalmente que têm de ir os dois. Não seria lógico se não a fizessem [coligação]”, considerou na segunda-feira à noite, em Gaia, Porto, à margem da sessão comemorativa do 41.º aniversário do PSD.


Rui Rio lembrou que os partidos poderiam ir separados a eleições e, depois, juntarem-se, mas é “mais coerente” irem juntos porque tem “algumas vantagens”.

“Poderei ser suspeito porque governei durante 12 anos a Câmara do Porto coligado com o CDS-PP”, frisou.


Pedro Passos Coelho e Paulo Portas realizaram, no passado sábado, um jantar em Guimarães para assinalar a assinatura do acordo de coligação para as próximas legislativas.

Questionado pelos jornalistas sobre uma eventual candidatura a Belém nas próximas eleições, Rui Rio lembrou que a pergunta é sempre a mesma e que já deu as respostas que tinha a dar.

“Não é tabu nenhum [a candidatura à Presidência da República], apenas não posso estar todos os dias a falar no mesmo”, salientou.


Além disto, Rui Rio defendeu a reforma do sistema político, nomeadamente sobre se se deve ou não fazer a regionalização em Portugal, sem olhar aos interesses partidários.

Durante a conferência “Portugal, Reformar o Sistema Político, Fortalecer a Democracia”, o antigo presidente da Câmara do Porto adiantou ter votado contra a regionalização, mas agora entende que deve ser uma questão a ser “estudada”.

“Passaram-se muitos anos, Portugal centralizou-se ainda mais, tive 12 anos à frente de uma câmara e percebi como a administração central funciona mal, como funciona pior do que a administração local”, realçou.


Na opinião de Rui Rio, os regimes políticos são “desgastados” pelo tempo, sendo necessário reformá-los e atualizá-los.

O sistema judicial é outra das reformas consideradas pelo ex-autarca do Porto como “fundamentais” para que se torne mais transparente e célere, tal como mais próxima das pessoas.

“Temos de separar o que é da justiça do que é a política porque temos assistido a um cruzamento que não é saudável num sistema democrático”, referiu.