O CDS admitiu hoje que o seu projeto de resolução para levar a votos, no parlamento, os Programas de Estabilidade (PE) e Nacional de Reformas (PN/Reformas) será um momento para comprometer PCP e BE com o Governo PS.

“O que está em causa é a manutenção do poder e o PCP e o BE querem manter o poder e as suas clientelas. Votariam sempre como vão votar”, afirmou, em conferência de imprensa, no parlamento, o líder parlamentar centrista, Nuno Magalhães, na apresentação dos dois textos que vão obrigar os deputados a votar o PE e o PN/Reformas, antecipando um voto contra a resolução apresentada da parte de comunistas e bloquistas.

Para Nuno Magalhães, “descaradamente, [PCP e BE] procuram passar-se por oposição à segunda, quarta e sexta”, mas quando votam, "votam de acordo com o Governo que apoiam” e têm que ser comprometidos com estas opções do executivo.

Bem pode o BE e o PCP fazerem as simulações de que são a oposição, mas que votam, votam. Os portugueses percebam, por uma questão de transparência, quem é oposição e quem apoia este Governo”

Nuno Magalhães admitiu ainda que seria “bem-vindo” o voto favorável do antigo parceiro de Governo, o PSD, como aconteceu no ano passado.

Para o deputado centrista, “não vale a pena passar pelos pingos da chuva”, numa referência ao PCP e BE, afirmando que “num parlamento, numa democracia, a vontade, as escolhas e o que vincula os partidos é o voto”.

E é por isso, por uma questão de coerência com o passado recente e de “transparência democrática”, que os centristas apresentaram os dois projetos de resolução.

O CDS-PP apresentou hoje um projeto de resolução em que recomenda ao Governo do PS apoiado pelas esquerdas que inclua o compromisso de “retomar as reformas estruturais” do anterior executivo PSD-CDS, de direita.

No texto, o CDS pede ao Governo que faça uma revisão do PE e do PN/Reformas, apresentando dezenas de sugestões, e que os submeta a votação.

Tanto o PS como os partidos que o apoiam no parlamento, PCP e BE, já deram indicação que será repetido o “chumbo” de 2016, quando se uniram contra um voto idêntico apresentado pelo CDS.