O Governo está disponível para apoiar os municípios do interior do distrito de Coimbra afetados pelos incêndios de domingo, disse à agência Lusa o autarca de Arganil Ricardo Pereira Alves.

"Há uma grande abertura do Governo no sentido de nos podermos concertar e montar uma estratégia no sentido de repor as infraestruturas e as condições para as empresas poderem trabalhar e as pessoas ganharem a vida", disse o autarca, após uma reunião na Lousã com o primeiro-ministro e o ministro do Planeamento e Equipamento.

António Costa reuniu ao final da manhã de terça-feira com os autarcas de Lousã, Arganil, Vila Nova de Poiares, Pampilhosa da Serra e Penacova, sem prestar declarações no final, remetendo explicações para o final da tarde, em Oliveira do Hospital, depois de uma reunião que aí efetuará com os municípios de Oliveira do Hospital, Santa Comba Dão, Tábua e Mortágua.

O presidente da Câmara de Arganil, Ricardo Pereira Alves, referiu que a reunião serviu para fazer um balanço da destruição causada pelos fogos que eclodiram no domingo e que fustigaram tragicamente aqueles concelhos.

"Vamos fazer levantamento dos prejuízos e concertamos as posições das autarquias com o Governo, no sentido de se fazer renascer a região", salientou o autarca, que está de saída após ter completado três mandatos à frente daquela autarquia.

Segundo o autarca, existe um "espírito de concertação” e a intenção de o Governo apoiar os prejuízos causados pelos incêndios", embora sem estar ainda estipulado o modelo de auxílio.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 37 mortos, 70 feridos, além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou que o Governo assinou um despacho de calamidade pública, abrangendo todos os distritos a norte do Tejo, para assegurar a mobilização de mais meios, principalmente a disponibilidade dos bombeiros no combate aos incêndios.

Portugal acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e o protocolo com Marrocos, relativos à utilização de meios aéreos.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, na primavera, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou 64 vítimas mortais e mais de 200 feridos.