O presidente do PS defendeu esta noite a utopia como motor da ação política, numa crítica implícita às posições do CDS-PP, e advertiu que os desafios do Governo impõem uma "compreensão ajustada" por parte da instituição parlamentar.

Estas palavras foram proferidas por Carlos César, líder da bancada socialista, no final do jantar de Natal do Grupo Parlamentar do PS, num discurso em que visou indiretamente críticas recentes feitas pelo presidente do CDS-PP, Paulo Portas, sobre as consequências das utopias socialistas.

"Há quem chame utopia à procura de mais humanismo, mais igualdade e mais justiça, com o sentido de que isso é perseguir uma miséria intelectual e política. Pelo contrário, estamos convencidos que quando se perde o sentido de esperança e quando se perde o sentido de utopia abrimos justamente caminho à inação, à desesperança e com isso ao ‘sebastianismo’ e aos falsos salvadores", contrapôs Carlos César, recebendo uma salva de palmas dos deputados socialistas.


No seu discurso, o presidente do PS e líder parlamentar socialista também falou sobre os objetivos do Governo no sentido de aumentar os rendimentos das famílias e promover o investimento das empresas, num quadro de "aplicação criteriosa dos recursos públicos".

Carlos César referiu-se neste contexto à situação orçamental do país, "que é de grande precariedade, e à necessidade de fortalecer a estabilidade do setor financeiro, que não respira a melhor saúde".

"Estes compromissos acarretam uma grande responsabilidade e procura de competência por parte do Governo, mas também uma compreensão ajustada por parte da instituição parlamentar", sustentou o presidente do PS.


Na sua intervenção, Carlos César protagonizou um momento de humor quando interrompeu o seu discurso para segurar o microfone do palco dos oradores, que quase caía ao chão.

"Este microfone é de grande fragilidade, ao contrário do nosso Governo", disse.