O presidente do PS, Carlos César, encabeça a lista da esquerda parlamentar para o Conselho de Estado, que será entregue na quarta-feira e inclui nos segundo e terceiro lugares nomes indicados pelo Bloco de Esquerda e PCP.

Fonte da direção dos socialistas disse à agência Lusa que o PCP, que terá o terceiro lugar da lista, comunica esta tarde o seu nome, enquanto o Bloco de Esquerda, a quem cabe indicar o segundo nome, reúne-se esta noite, comunicando a sua escolha até ao final da manhã de quarta-feira.

Na sexta-feira, a Assembleia da República elege os seus cinco representantes para o Conselho de Estado e o resultado será apurado com base na aplicação do método d'Hondt às listas que forem apresentadas até quarta-feira - em princípio duas, uma da esquerda parlamentar e outra do PSD e CDS-PP.

Na sua edição de hoje, o Diário de Notícias referiu que o ex-candidato presidencial Manuel Alegre foi "desconvidado" pelo secretário-geral do PS, António Costa, como primeiro candidato dos socialistas na lista do Conselho de Estado, tendo sido depois escolhido para essa mesma posição cimeira o presidente do partido, Carlos César.

Sobre esta controvérsia, Carlos César, também líder parlamentar do PS, salientou à agência Lusa que a sua responsabilidade neste processo situou-se "ao nível do formato da lista" alternativa à do PSD e CDS-PP para o Conselho de Estado.

"A escolha [do nome do PS para encabeçar a lista] pertenceu ao secretário-geral [António Costa]. Mesmo assim, entendo que o secretário-geral do PS agiu em consonância com as decisões do partido neste domínio", frisou Carlos César.

De acordo com o "histórico" de decisões do PS nestes processos de escolha de candidatos ao Conselho de Estado, verifica-se que, pelo menos desde 2002, sempre que os socialistas indicaram nomes estando na oposição, o primeiro desses nomes foi sempre o do secretário-geral.

Estando o PS no Governo, a situação que se verifica agora, então o primeiro nome da lista a indicar para o Conselho de Estado foi sempre o do presidente do partido.

Em 2002, o primeiro nome foi o do então secretário-geral, Ferro Rodrigues, seguido do presidente Almeida Santos; em 2005, durante a fase do primeiro Governo liderado por José Sócrates, o primeiro nome foi o do presidente Almeida Santos, seguindo de Manuel Alegre; em 2009, com o segundo Governo Sócrates, o primeiro nome foi o do presidente Almeida Santos, seguido novamente de Manuel Alegre; em 2011, com o PS na oposição, o então secretário-geral, António José Seguro, liderou a lista, tendo Manuel Alegre no segundo lugar.

Desta vez, como apontou Carlos César, em resultado das negociações com o Bloco de Esquerda e PCP para a existência de uma lista única de esquerda, "o PS deixou de indicar dois [elegíveis], tendo apenas um - e essa é a diferença face ao passado".

Já sobre a questão do ex-candidato presidencial Manuel Alegre ter sido desconvidado por António Costa como primeiro nome para o Conselho de Estado, tal como referiu o Diário de Notícias, Carlos César insistiu que a escolha ao nível de nomes foi da responsabilidade do secretário-geral do PS.

"Fui convidado pelo secretário-geral do PS na segunda-feira. Compreendo que Manuel Alegre não queira estar em quarto lugar", disse o ex-presidente do Governo Regional dos Açores.

Carlos César considerou depois "Manuel Alegre uma referência central do PS" e salientou ter pelo ex-candidato presidencial "uma grande amizade pessoal".

"Uma amizade pessoal que tem ultrapassado circunstâncias em que não estivemos do mesmo lado no PS. Creio sinceramente que não existe qualquer tensão entre mim e Manuel Alegre. Se a questão do Conselho de Estado tivesse sido resolvida de outra forma, também não teria agora qualquer acrimónia", acrescentou o presidente do PS.