O ministro da Presidência, Luís Marques Guedes, disse esta quarta-feira que pessoalmente é favorável à continuação da coligação com o CDS-PP, elogiando a «atitude positiva» e «vontade verdadeira de ajudar» dos democratas-cristãos nos últimos quatro anos.

«Pessoalmente, como cidadão, sou favorável à continuação da coligação porque acho que na situação de dificuldade e desafios muito grandes que o país ainda tem pela frente, todos aqueles que tiverem uma atitude positiva e uma vontade verdadeira de ajudar a resolver os problemas do país devem dar o seu contributo», afirmou Marques Guedes, em declarações à Lusa no final de almoço/debate promovido pelo International Club of Portugal e que decorreu num hotel de Lisboa.

E, acrescentou, ao longo dos quase quatro anos de Governo de maioria PSD/CDS-PP foi isso que tem sentido da parte dos democratas-cristãos com quem tem trabalhado quer no executivo, qure na Assembleia da República.

«Acho que o país atualmente não se pode dar ao luxo de desperdiçar todos aqueles que querem contribuir para ultrapassar os problemas do passado e para continuar esta mudança que foi iniciada», sustentou.

Marques Guedes remeteu, contudo, qualquer decisão para os «diretórios» e responsáveis partidários, lembrando que neste momento é apenas um militante, sem qualquer responsabilidade dentro do PSD.

Questionado sobre notícias que referem que o primeiro-ministro e líder do PSD, Pedro Passos Coelho, referiu que o ideal seria que os sociais-democratas atingissem a maioria absoluta sozinhos, o ministro da Presidência disse apenas que na terça-feira à noite esteve no Conselho Nacional do PSD e não ouviu nada do que vem hoje relatado na comunicação social.

De acordo com relatos feitos à agência Lusa, no seu discurso inicial, Passos Coelho disse que é preciso decidir se o PSD se coliga com o CDS-PP antes das legislativas deste ano, ou depois dessas eleições, referindo que o ideal era os sociais-democratas não necessitarem dos centristas para terem maioria absoluta para governar.

Durante o almoço/debate do International Club of Portugal, Marques Guedes foi também questionado sobre a hipótese de uma coligação pré-eleitoral com o CDS-PP, mas além de confirmar que «como cidadão» pensa que deve haver coligação, nada mais acrescentou, sublinhando que, por não ter neste momento qualquer responsabilidade partidária dentro do PSD, não está «envolvido na mecânica das negociações naturais que têm de existir em situações como esta», cita a Lusa.

Marques Guedes diz que PS é «partido a olhar para trás» e que «ziguezagueia»

 
O ministro da Presidência, Luís Marques Guedes, considerou o PS como «um partido a olhar para trás» e que «ziguezagueia», apontando a Grécia como exemplo do que se passaria em Portugal com as «fantasias apregoadas» pelos socialistas.

«Portugal virou a página, mas mal estará quem prefira esquecer as lições daquilo por que passámos. Como é o caso do principal partido da oposição. Com as suas constantes propostas de um regresso ao passado, o PS é hoje um partido a olhar para trás e quem está a olhar para trás inevitavelmente ziguezagueia e não anda para a frente», afirmou Marques Guedes.


O ministro da Presidência apontou a Grécia como um exemplo que permite antecipar o que se passaria em Portugal «com as fantasias apregoadas pelos socialistas».

«O sucesso alcançado não pode ser desbaratado», afirmou.

Num tom muito crítico para a oposição, o ministro da Presidência recusou a demagogia que aponta a austeridade como causa da grave situação porque passou Portugal, sublinhando que não se pode confundir a causa com a consequência.

«O mal vinha detrás, das políticas erradas que levaram a gravíssimos desequilíbrios e colocaram o país numa situação de menoridade. Essa foi a causa do desastre e a austeridade a que fomos forçados a sua consequência», enfatizou.


Dramatizando que «reabrir o caminho do aventureirismos» poderá colocar em causa os resultados alcançados «com tanto sacrifício», Marques Guedes apresentou o mandato do atual Governo de maioria PSD/CDS-PP como «um dos mandatos de maiores mudanças da nossa democracia», embora «não isento de erros e percalços».