O Partido Comunista Português condena firmemente a imposição de sanções à Venezuela por parte da União Europeia, decididas ontem. Para o PCP, trata-se de “um inadmissível ato de pressão e ingerência política dirigido contra a soberania do povo venezuelano”.

A decisão ontem adotada pelo Conselho dos Negócios Estrangeiros da UE, para além de um inqualificável exercício de hipocrisia, representa sobretudo um inadmissível ato de pressão e ingerência política dirigido contra a soberania do povo venezuelano, contrário aos princípios e normas da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”.

De acordo com um comunicado do partido liderado por Jerónimo de Sousa, “com esta decisão, a UE dá mais um passo na sua política de afrontamento e desrespeito do legítimo Governo e ordem constitucional da República Bolivariana da Venezuela, que se integra na ampla operação de desestabilização e bloqueio económico, financeiro, político e diplomático contra a Venezuela e o seu povo, que tem vindo a ser promovido e intensificado pela administração norte-americana dirigida por Donald Trump”.

O PCP criticou ainda “o envolvimento do Governo português na decisão agora adotada pela UE”, por entender que “a promoção e o apoio às forças que se entregam à espiral de ingerência e desestabilização contra a Venezuela de modo algum favorecem a defesa dos interesses do povo venezuelano e da comunidade portuguesa residente na Venezuela”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, esclareceu ontem, em Bruxelas, que as sanções aprovadas terão "alvos específicos e determinados" ee com o objetivo de “pressionar as partes a dialogarem”.

Para o PCP, “só uma atitude de respeito pela soberania da Venezuela e da sua ordem constitucional contribuirá para assegurar a normalização da situação e a salvaguarda dos interesses da comunidade portuguesa naquele país”.

No comunicado, os comunistas reafirmam ainda “a solidariedade com a República Bolivariana da Venezuela e o povo venezuelano e a sua firme e persistente ação em defesa dos seus direitos, independência e soberania” e expressam “confiança na sua capacidade de encontrar as soluções para ultrapassar os exigentes desafios que lhe são colocados e continuar o caminho das conquistas e avanços alcançados com o processo libertador bolivariano”.

Entre as sanções aprovadas, está um embargo de armas e de outro material que possa ser usado para a repressão interna e a adoção de um quadro legal para proibição de viagens e congelamento de bens.