O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, anunciou, nesta quarta-feira, que irá "devolver a palavra aos deputados para eleger uma nova direção parlamentar", depois de Rui Rio lhe ter manifestado o desejo de trabalhar com outra liderança de bancada.

Por isso, confirmou o próprio à Lusa, irá “devolver a palavra aos deputados para eleger uma nova direção parlamentar”.

A decisão do líder parlamentar está a ser anunciada aos deputados numa reunião da bancada do PSD e foi tomada depois de um encontro que decorreu no passado sábado com Rui Rio, no qual o líder eleito do PSD lhe terá manifestado “o desejo de trabalhar com outra direção parlamentar”.

Após a reunião, o líder parlamentar do PSD afirmou que foi sua a decisão de convocar eleições para a bancada e não se recandidatar, perante a vontade expressa por Rui Rio de trabalhar com “uma direção do grupo parlamentar diferente”.

“É evidente que não sou candidato”, afirmou Hugo Soares, no final da reunião da bancada do PSD, questionado pelos jornalistas.

Sobre os motivos que o presidente eleito do PSD lhe terá dado para não querer continuar a trabalhar consigo, Hugo Soares frisou que Rui Rio “não tem de explicar motivos nenhuns”.

“A decisão é minha e eu é que tenho de perceber se da parte do doutor Rui Rio há ou não há confiança política e vontade de continuar a trabalhar com a atual direção parlamentar (…) O doutor Rui Rio transmitiu-me o desejo de trabalhar com uma direção de grupo parlamentar diferente, cabe ao presidente do grupo parlamentar interpretar os sinais e a decisão é minha de devolver a palavra aos colegas deputados para eleger nova direção”, explicou.

Para Hugo Soares, a conversa com Rui Rio “era a condição que faltava” para tomar a decisão de convocar eleições para a próxima semana, no dia 22.

O ainda líder da bancada agradeceu aos colegas que o elegeram “há cerca de seis meses com 85% dos votos” e assegurou que se manterá “na primeira linha de combate político ao PS”.

“Foram seis meses muito difíceis: praticamente tomámos posse com o anúncio da não recandidatura do doutor Passos Coelho, com uma campanha interna do partido, com uma moção de censura, com um debate orçamental e vários debates quinzenais”, recordou, dizendo não estar desiludido com este desfecho, apenas “orgulhoso no trabalho” feito nos últimos seis meses.

Questionado se ficou em causa a autonomia do grupo parlamentar, Hugo Soares não respondeu diretamente: “Não tenho dúvida nenhuma que o grupo parlamentar do PSD continuará a ser fortíssima oposição ao PS, é isso que nos deve mobilizar”.

Quanto ao lugar que ocupará no futuro no parlamento, Hugo Soares não esclareceu se irá para a última fila do plenário, mas garantiu que estará “sempre na linha da frente no combate ao PS e a ajudar o doutor Rui Rio na construção de uma alternativa”.

O líder parlamentar escusou-se também a “interpretar” se esta posição de Rui Rio será a melhor para unir o partido, dizendo que “a interpretação dos sinais é dos comentadores, dos articulistas”.

Sobre o seu sucessor, Hugo Soares manifestou-se convicto que na bancada do PSD, “a maior do parlamento”, “há várias e vários colegas com capacidade de protagonizar o combate a António Costa e de serem excelentes líderes parlamentares” e aproveitou para deixar um elogio ao ainda presidente do partido.

“Qualquer líder que desperdice o legado de Pedro Passos Coelho está a cometer um erro crasso, não me parece que o doutor Rui Rio o vá fazer”, disse, considerando Passos “um dos melhores primeiros-ministros da história de Portugal”.

Hugo Soares disse ainda esperar que o facto de a decisão de deixar a liderança da bancada ter sido articulada e comunicada com antecedência não traga qualquer “intranquilidade” ao Congresso do PSD do próximo fim de semana, que espera que decorra com “grande moderação”.

O PSD tem um novo presidente eleito, Rui Rio, desde as diretas de 13 de janeiro, que será empossado no Congresso que se realiza entre sexta-feira e domingo, em Lisboa.

Sobre a atual liderança parlamentar, no final de janeiro foi divulgado um comunicado depois de uma reunião entre Rui Rio e Hugo Soares, no qual se expressava concordância entre ambos de que a direção da bancada na Assembleia da República deveria manter-se "na plenitude das suas funções" até ao Congresso, “remetendo-se apenas para essa altura a necessária análise política da questão".

No entanto, nas últimas semanas foram-se multiplicando os sinais de que Rui Rio não pretendia a continuidade de Hugo Soares e foram vários os nomes apontados para o cargo de líder da bancada, entre os quais o do vice-presidente do grupo parlamentar Adão Silva ou dos deputados Luís Campos Ferreira ou Fernando Negrão.

Hugo Soares foi eleito em 19 de julho do ano passado, para um mandato de dois anos, com 85,4% de votos, correspondentes a 76 votos favoráveis, 12 votos brancos e um nulo, sucedendo no cargo a Luís Montenegro, que atingiu o limite de três mandatos consecutivos.