O eurodeputado e vice-presidente do CDS-PP Nuno Melo não vai ser candidato à liderança do partido. Fica assim livre o caminho para Assunção Cristas avançar com uma candidatura à sucessão de Paulo Portas no Congresso de 12 e 13 de março.
 

“Não irei candidatar-me à presidência do CDS”, disse o eurodeputado, numa declaração, esta quinta-feira, cerca das 12:15.

Nuno Melo dá como principal razão para não avançar o facto de ser eurodeputado e de não estar presente no Parlamento português:

“Sou eurodeputado. Candidatei-me a um mandato que disse sempre que cumpriria como invariavelmente cumpri todos os outros. (…) O presidente do partido tem de poder debater com o primeiro-ministro, caso o partido esteja na oposição, na Assembleia da República. A Assembleia da República é o centro das decisões do país.”
 

Nuno Melo ressalva que poderia, "em teoria", regressar ao Parlamento português, cumprindo assim o requisito que apontara anteriormente, caso os deputados eleitos pelo círculo de Braga prescindissem dos seus mandatos para ele poder subir. "Mas esse é o mandato deles. Não é o meu", sublinhou.

“Entendi existirem outras pessoas, neste momento, nestas circunstâncias para serem candidatos à presidência do CDS. São muitos os nomes, que indicam que o CDS não é nem nunca foi o partido de um só homem”, acrescentado que o nome de Assunção Cristas é o que mais lhe agrada, enumerando as qualidades da antiga ministra. 
 

Nuno Melo Manifestou mesmo o apoio a Assunção Cristas, caso a atual deputada decida avançar: "Se for se sua vontade candidatar-se, Assunção Cristas terá todo o meu apoio."

“O CDS tem tudo para consolidar o seu eleitorado. O CDS tem tudo para crescer nos próximos tempos. Sobretudo nas circunstâncias de o país ter um Governo de um partido que não ganhou as eleições.”


Nuno Melo era um dos nomes mais falados para suceder a Paulo Portas na presidência do CDS-PP. Esta quarta-feira à noite, Nuno Melo tinha já dito que só confirmava se se candidatava ou não depois de “conversas conjuntas” com Assunção Cristas.
 
O vice-presidente do CDS Nuno Melo defendeu que mais importante do que uma sua eventual candidatura à liderança é contribuir para assegurar que depois da saída de Paulo Portas o partido não se vai balcanizar.
 

"O que me parece mais importante aqui não é saber se eu sou ou não candidato à presidência do CDS. O que para mim é importante é assegurar, no que de mim dependa, é o que a liderança cessante do Paulo Portas justifica e merece, ou seja, que ao contrário de tanto comentário político, um fim do ciclo Paulo Portas não tem de significar um partido que se vai balcanizar, que se vai radicalizar", afirmou Nuno Melo, em entrevista à RTP3.
 

Com o apoio claro manifestado por Nuno Melo esta quinta-feira, o nome de Assunção Cristas é o que melhor se perfila para avançar para a liderança do partido. Se se confirmar, Cristas pode tornar-se na primeira mulher a liderar o CDS-PP. O novo presidente do CDS será eleito no Congresso do partido, já agendado para 12 e 13 de março, ainda sem local confirmado para a sua realização.