A candidata à liderança do CDS-PP Assunção Cristas defendeu, nesta quinta-feira, um partido "assente na democracia cristã e focado na resolução concreta dos problemas dos portugueses", preocupado em crescer e ser "alternativa robusta" ao Governo apoiado pelas "esquerdas radicais".

"O centro-direita em Portugal tem de crescer para garantir aos portugueses uma alternativa ambiciosa e credível. O CDS, assente na democracia cristã e focado na resolução concreta dos problemas dos portugueses, é o partido mais bem posicionado para protagonizar esse crescimento", afirmou Assunção Cristas em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa.

Para a candidata à presidência do CDS-PP, o partido, liberto "do fantasma do voto útil", deve ser "parte cada vez mais robusta de uma alternativa à governação apoiada nas esquerdas radicais".

Já quando respondia a perguntas e questionada sobre a relação com o PSD, Assunção Cristas disse que continuarão a manter diálogo, mas sublinhou que são partidos separados que têm projetos autónomos e reiterou que a preocupação dos centristas "é crescer e ser uma alternativa robusta" ao executivo de António Costa.

Oito horas depois de Nuno Melo anunciar que não se candidatava à liderança do CDS-PP, Assunção Cristas, que usou a rede social Facebook para comunicar que avançava, revelou aos jornalistas que a sua decisão "estava tomada há muito tempo", não obstante ter existido com o eurodeputado e também vice-presidente diálogo e "forte colaboração".

Acompanhada pelo marido, por apoiantes como o deputado João Rebelo, Manuel Castelo Branco, José Lino Ramos, Manuel Isaac e o crítico literário e poeta Pedro Mexia, Assunção Cristas deixou palavras elogiosas, tanto para Nuno Melo como para Paulo Portas, a cuja sucessão se candidata no 26.º Congresso.

Sobre Nuno Melo, disse contar que as suas qualidades continuarão a ser reveladas "com brilhantismo na linha da frente do combate político do CDS".

"O CDS precisa de todos. De todos os que já cá estão e de todos os que em conjunto pudermos trazer. O CDS nunca foi o partido de um homem só e não será, garantidamente, o partido de uma única mulher", declarou.

A ex-ministra da Agricultura agradeceu a Paulo Portas a sua "extraordinária dedicação ao partido e ao país", afirmando que "a sua determinação, a sua inteligência, a sua capacidade de concretizar, continuarão a inspirar o CDS".

Assunção Cristas disse candidatar-se por ter "a profunda convicção" de que deve "continuar a servir a causa pública", para a qual quer continuar a contribuir com o seu trabalho e entusiasmo.

"Gosto de política, entrei para o CDS por convicção e sinto que tenho condições para ser presidente do CDS", declarou, destacando a necessidade do "trabalho de equipa" e prometendo nas próximas semanas ouvir o partido e o país para a construção da sua moção de estratégia ao Congresso.

A ‘vice' centrista afirmou que se candidata por estar preocupada com o país, "com um desgoverno que torna tudo aparentemente fácil" - e apontou o exemplo da educação -, que "desfaz sem gradualismo ou critério".

Assunção Cristas manifestou-se "preocupada com a ação de um Governo que desconfia do setor privado e social e que parece desconhecer a importância do investimento privado na criação de emprego duradouro, dando sinais desmobilizadores da iniciativa privada nacional e estrangeira".

Questionada sobre o facto de a condição de mulher ser uma vantagem, Cristas respondeu que, apesar de gostar de acreditar que a condição feminina é indiferente, sabe que, nas atuais circunstâncias, a sua candidatura representa "um ensejo" para que mais mulheres "possam aparecer".