Assunção Cristas é candidata à liderança do CDS-PP, anunciou a própria, nesta quinta-feira, na sua página na rede social Facebook.

"Sou candidata à liderança do CDS", começou por escrever a vice-presidente do partido e ex-ministra da agricultura do Governo de coligação PSD/CDS-PP.

"A decisão foi amadurecida com a minha família e amigos, e beneficiou do conselho e do estímulo de muitas pessoas de dentro e de fora do CDS", justificou a democrata-cristã, que conta com o apoio do eurodeputado Nuno Melo.

Assunção Cristas disse também que, esta noite, pelas 20 horas, na sede dos centristas, vai "explicar as razões" que a levam "a dar este passo".

Acrescentou, igualmente, que "nas próximas semanas" irá preparar "uma moção sólida para levar ao congresso do CDS", que se realiza a 12 e 13 de março.

O prazo para a entrega de moções termina a 26 de fevereiro.

Após o anúncio, vários centristas manifestaram já o apoio a Assunção Cristas, casos do presidente da bancada parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães.

“Eu, pessoalmente, acho que a doutora Assunção Cristas é uma excelente candidata e terá o meu apoio, os outros militantes terão a sua posição, que eu respeito”, afirmou aos jornalistas, na Assembleia da República.

Também o vice-presidente da bancada parlamentar, Hélder Amaral, manifestou o seu apoio a esta "excelente candidata", enquanto Telmo Correia considera que a antiga ministra "é a escolha mais forte".O mesmo sucede com o vice-presidente Diogo Feio, ao passo que a vice Teresa Caeiro considera Assunção Cristas "uma das várias pessoas muito bem preparadas"para suceder a Paulo Portas.

Paulo Portas, que anunciou a 8 de janeiro que não se recandidataria à liderança do CDS-PP, disse então que tinha vivido "  uma noite comovente" de despedida do partido perante o Conselho Nacional.


A mão de Portas


Assunção Cristas destacou-se enquanto ministra da Agricultura, depois de Paulo Portas a ter trazido para o partido quando deu nas vistas na campanha contra a despenalização do aborto.

No XIX Governo Constitucional, começou por acumular o Ambiente com a Agricultura, mas a pasta da lavoura é que moldaria a sua imagem mediática.

De motivação ambientalista e aguçado sentido mediático, abolir as gravatas no ministério e diminuir o consumo de ar condicionado foram as suas primeiras medidas.

Maria de Assunção Oliveira Cristas Machado da Graça nasceu em 1974 em Luanda, mas cresceu em Lisboa e foi na capital que enveredou pela carreira académica, doutorando-se em Direito Privado pela Universidade Nova de Lisboa, onde se tornou professora.

A entrada na cena política deu-se em 2002, com o convite da então ministra da Justiça Celeste Cardona, para o cargo de sua adjunta, colocando a tese de doutoramento em pausa, para assumir as funções no Governo de coligação PSD/CDS-PP, liderado por Durão Barroso.

Após esse tirocínio, Assunção Cristas integrou o Gabinete de Política Legislativa e Planeamento até 2005, voltando depois à vida universitária, mas uma intervenção no programa "Prós e Contras" da RTP, em plena campanha para o referendo de 2007 à descriminalização do aborto, despertou a atenção de Portas, em busca de quadros para a renovação do CDS-PP.

O convite para integrar a Comissão Política dos centristas não tardou e o "rigor, afinco e trabalho" - a sua fórmula para tudo em que se mete, conforme disse numa entrevista - levaram-na até à posição de cabeça de lista nas eleições legislativas de 2009 pelo círculo de Leiria, distrito pelo qual tem sempre concorrido.

Mãe de quatro filhos, Assunção Cristas foi a primeira mulher a estar grávida durante o exercício das funções de ministra e Paulo Portas gosta de dizer que algumas reuniões no partido passaram a realizar-se durante o dia para que a sua vice-presidente pudesse dar mais assistência à família.

Atualmente, Cristas exerce as funções de deputada e de vice-presidente do CDS-PP.