O líder parlamentar socialista destacou hoje a capacidade de PS, BE, PCP e PEV de privilegiarem as convergências em vez das divergências, renovando a opção presente e futura de colaboração com os parceiros à esquerda.

O PS é uma força central da vida portuguesa, tem esse papel em toda a história da democracia. Compete-nos assegurar que exista um clima de concertação interpartidária e diálogo social, mas a nossa escolha, de um ponto de vista de uma agenda política do presente e do futuro, é centrada na colaboração com os partidos da esquerda", afirmou Carlos César no fim do debate sobre o estado da nação, no parlamento.

O também presidente do PS reconheceu que cada um dos quatro partidos em causa "tem as suas diferenças" e "é direito de PS, PCP, BE e PEV afirmarem essas diferenças", algo que considerou "justo e transparente" até para os portugueses.

"Mas também este debate evidenciou, como em toda a legislatura, naquilo que é mais importante, sabemos privilegiar a convergência em detrimento dessas divergências", afirmou, reforçando que "o empenhamento" do PS é "na concretização de acordos" efetuados, "trabalhando em comum e honrando-os".

"Estamos também convencidos de que a esquerda portuguesa pode dar um contributo decisivo para que este caminho que está a ser feito seja feito também no futuro", continuou.

Carlos César destacou os "inúmeros progressos - emprego, economia -, simultaneamente satisfazendo compromissos de consolidação das finanças públicas" conseguidos ao longo de "quase três anos", mas admitiu que Portugal ainda é um "país muito desigual, com muitos problemas quanto ao futuro e estabilidade das famílias, em particular dos jovens" e que "a economia tem riscos e ameaças", devido a "instabilidades externas".

"Estamos conscientes, trabalhamos com seriedade, mas não nos podem privar do orgulho que temos em termos conseguido, em menos de três anos, tantos progressos em tantas áreas com benefícios para os portugueses", congratulou-se.

Governo quer renovar objetivos do compromisso político de 2015

O ministro Adjunto afirmou hoje que o Governo quer renovar os objetivos que estão na base do acordo político de esquerda de 2015, advertindo que a alternativa seria "obscura" e contrária ao combate às desigualdades e aos trabalhadores.

Esta foi uma das mensagens centrais transmitidas por Pedro Siza Vieira no discurso que encerrou o debate parlamentar sobre o estado da nação na Assembleia da República.

Ao longo de dez minutos, o ministro Adjunto fez críticas diretas ao PSD e ao CDS-PP, mas também enviou recados aos parceiros de esquerda no parlamento (BE, PCP e PEV), designadamente quando defendeu que a política orçamental seguida pelo executivo "não decorre de constrangimentos externos", mas da circunstância de "produzir bons resultados".

A boa gestão financeira permitiu que em 2018 Portugal pague menos mil milhões de euros de juros de dívida pública do que se pagava em 2015. Esta gestão financeira tem libertado recursos para aumentar a despesa no Serviço Nacional de Saúde em 700 milhões de euros já neste ano, tendo ainda permitido o aumento dos investimentos na educação ou na ciência. Boas contas são uma boa ideia", defendeu.

Numa alusão simultânea às negociações sobre o Orçamento do Estado para 2019 e à próxima legislatura, Pedro Siza Vieira advogou que é possível, entre as forças de esquerda, "renovar-se a ambição e encontrar novos objetivos", avançando, então, com um vasto conjunto de exemplos em áreas sociais, entre eles o da política de apoio ao regresso de jovens emigrantes.

Não podemos dar passos maiores do que a perna, mas o nosso passo é agora mais firme, mais seguro e pode fazer levantar novas ambições. Perante a clareza das opções do compromisso de 2015, é totalmente obscura a vontade alternativa [do PSD e CDS-PP], mas os portugueses sabem que essa alternativa terá seguramente um sentido ao caminho percorrido", acentuou.

Para o ministro Adjunto, um eventual Governo com as atuais forças da oposição "não percorrerá um caminho para a redução das desigualdades, ou de relações laborais mais justas".

"Não sabemos qual seria o caminho alternativo, mas sabemos que não passa pelo reforço dos direitos e da situação social de quem vive do seu trabalho. Por isso que não se ponha em causa o caminho percorrido. Só quem esteja interessado em colocar em causa os resultados alcançados pode pôr em causa a base em que assentaram", advertiu.

Na sua intervenção, Pedro Siza Vieira apontou também alguns dados sobre a evolução económica e financeira do país, capítulo em que usou uma expressão da presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, mas para a criticar.

O ministro Adjunto defendeu que Portugal está a crescer acima da média da União Europeia e que o investimento direto estrangeiro "atingiu máximo de sempre".

"Pelos vistos, os investidores estrangeiros não tiveram medo do Governo das esquerdas unidas", apontou.