O ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, considerou esta terça-feira que o «novo contexto internacional» mostra que Portugal deve ter sempre capacidades para ser «um país que conta para a defesa coletiva” nas alianças de que faz parte.

Ao comentar aos jornalistas, em Viseu, os atentados da semana passada em França, o governante referiu que muitas vezes as pessoas não compreendem o porquê de forças portuguesas estarem destacadas, por exemplo, no Afeganistão ou no Kosovo, «em cenários que aparentemente parecem não ter a ver com a defesa nacional».

«Estamos a combater o terrorismo onde ele existe no que diz respeito às suas fontes que depois têm repercussões internacionais. Estamos a combater a pirataria onde ela depois tem repercussões em termos internacionais», frisou.

Segundo Aguiar-Branco, a defesa coletiva «não se faz de uma forma individualizada por cada um dos Estados membros», mas sim nas alianças.

«Quando estamos na NATO, nas Nações Unidas e na União Europeia estamos como um país que conta, que tem de ter o seu contributo para essa defesa e segurança coletiva», acrescentou, lembrando que as ameaças «tanto vêm de leste, como do flanco sul» e, como globais que são, «têm de ter uma resposta global».

O ministro sublinhou que «não é um país isolado que pode fazer frente a uma ameaça global».

«Quando nós temos que ser um país que conta para efeitos das nossas participações nessas alianças internacionais, estamos também aí a fazer defesa da nossa própria defesa nacional, das nossas populações, dos nossos valores», considerou.

Aguiar-Branco falava aos jornalistas no final de uma sessão do ciclo de debates públicos «Ter Estado», sob o tema «Fundos estruturais e investimentos: onde devemos investir?».

Durante a sessão, o economista Miguel Cadilhe, ao falar sobre a importância de serem feitas análises de custo/benefícios independentes e competentes aos projetos, aludiu ao polémico negócio dos submarinos portugueses.

«Alguma vez na vida teríamos feito aquela enormidade de despesa pública em submarinos se tivesse havido na altura uma análise custo/benefícios independente e competente?», questionou.

Aguiar-Branco disse aos jornalistas que o importante é «ter a consciência de que hoje os submarinos são uma capacidade que estão ao serviço das Forças Armadas, que cumprem missões relevantes precisamente nisto que tem a ver com a defesa coletiva».

«É um debate que deve ser visto hoje pela forma positiva de como é que uma capacidade que as Forças Armadas têm neste momento também contribui para as missões quer de defesa coletiva, quer de defesa nacional, quer também da vigilância do nosso grande território marítimo», acrescentou.

Desta forma, o ministro considera que está a ser respeitado «o dinheiro que os contribuintes portugueses deram para esta capacidade».