«É para nós claro que o governador do BdP [Carlos Costa] tem de voltar, porque à medida que vai sendo posto em causa na comissão de inquérito vai fazendo chegar à Assembleia da República novos documentos. Portanto, tem de explicar por que razão esses documentos não foram entregues logo de início e qual a razão para fazer pingar documentos à medida que a comissão de inquérito vai avançando», justificou o dirigente da bancada socialista.




«A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, tem de voltar à comissão de inquérito; Ricardo Salgado tem de voltar e José Maria Ricciardi também tem de voltar», completou o coordenador dos socialistas na comissão de inquérito às gestões do BES e do GES (Grupo Espírito Santo).


«Não há ninguém que no final deste processo possa autoproclamar-se como herói. Temos uma gestão que alegadamente terá cometido crimes, cuja responsabilidade pelo apuramento desses crimes será dos tribunais, mas também se sabe que os responsáveis pela gestão do BES mantiveram-se demasiado tempo em funções, até ao dia 13 de julho de 2014. Essa permanência da administração de Ricardo Salgado até 13 de julho passado inviabilizou qualquer sucesso que poderia ter a estratégia delineada pelo Banco de Portugal», sustentou Pedro Nuno Santos.


«É lamentável que o primeiro-ministro tente condicionar as conclusões da comissão de inquérito»



«O primeiro-ministro já por várias vezes fez declarações, apelando para que a comissão de inquérito parlamentar se foque na gestão. O PS responde-lhe que se irá focar na gestão do banco, na regulação, mas igualmente no papel do Governo. É lamentável que o primeiro-ministro tente condicionar as conclusões da comissão de inquérito», declarou Pedro Nuno Santos.


«O PSD passou depois a dizer que o governador do Banco de Portugal [Carlos Costa] teve uma intervenção irrepreensível ou rigorosa. Sem qualquer explicação, o PSD passou do ataque ao governador do Banco de Portugal para a sua defesa. Mas o PS não deixará ninguém de fora», contrapôs.


«Administradores executivos do BES até ao fim são também responsáveis, e se dizem que não sabem o que se passou lá então deviam saber. A verdade é que são todos responsáveis, apesar de haver um responsável máximo que foi Ricardo Salgado», salientou o coordenador da bancada socialista na comissão parlamentar de inquérito.


«Se a administração de Salgado fosse substituída logo em 2013, as garantias de eficácia da estratégia do Banco de Portugal eram bem maiores, porque seriam executadas por alguém que não tinha interesse em proteger o ramo não financeiro. Já o Governo, apoiou primeiro a estratégia de não substituição de Salgado antes de julho de 2014 e foi o ator principal da resolução política que implicou a injeção de 3,9 mil milhões de euros do erário público», advogou o dirigente da bancada do PS.


«O que explica essa diferença três vezes superior à prevista é muito provavelmente o crédito concedido pelo BES ao Banco Espírito Santo de Angola (BESA). Ao colocar o BESA no BES mau, a resolução [do Governo] facilitou a revogação da garantia [do Estado angolano]», admitiu o coordenador do PS na comissão de inquérito parlamentar.