O PS apresentou esta quinta-feira um requerimento na comissão de inquérito à gestão do BES e do GES reclamando a audição do presidente da Eurofin, Alexandre Cadosch, empresa com sede na Suíça e com papel destacado na crise do grupo.

«É uma chamada óbvia», porque é «fundamental» perceber «qual o papel da Eurofin neste processo», disse à agência Lusa o deputado coordenador do PS na comissão, Pedro Nuno Santos.

A Eurofin, liderada por Cadosch, é um intermediário financeiro que conduziu operações que causaram prejuízos ao Banco Espírito Santo (BES).

A comissão de inquérito arrancou a 17 de novembro e tem um prazo de 120 dias, que pode eventualmente ser alargado.

Os trabalhos têm por intuito «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos, as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do Grupo Espírito Santo (GES), designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades».

Será também avaliado, por exemplo, o funcionamento do sistema financeiro e o «processo e as condições de aplicação da medida de resolução do Banco de Portugal« para o BES e a «eventual utilização, direta ou indireta, imediata ou a prazo, de dinheiros públicos».

A 03 de agosto, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado 'bad bank' (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco.