A Comissão Europeia está a acompanhar de perto o surto de legionella em Portugal, o maior de sempre registado no país, e já pediu ao Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças uma avaliação rápida de risco.

O porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Enrico Brivio, disse à Lusa que, independentemente de um surto da doença dos legionários não ser propriamente encarado como uma ameaça transfronteiriça à saúde, já que é por regra um evento local sem transmissão entre os seres humanos, Bruxelas está a monitorizar de perto a situação, consciente de que se trata «do maior surto de sempre de legionella em Portugal».

«A Comissão está a monitorizar de perto os acontecimentos com o apoio da ECDC (a sigla em inglês do centro europeu de controlo e prevenção de doenças) e da ELDSNet (a rede europeia de vigilância da doença dos legionários), que está a monitorizar ativamente casos de legionella relacionados com viagens, em contacto com o respetivo ponto de contacto da ELDSNet em Portugal», referiu, acrescentando que a Comissão já pediu à ECDC uma avaliação rápida de risco, que deverá ser entregue nos próximos dias.

Por outro lado, acrescentou, as autoridades de saúde pública dos Estados-membros recebem regularmente informação atualizada sobre os desenvolvimentos da situação através do sistema de resposta e alerta rápido da União Europeia.

O executivo comunitário, apontou, tem conhecimento de que o surto de legionella está a ser lidado pelas autoridades de saúde de Portugal «como uma grande emergência de saúde pública», envolvendo especialistas das mais diversas áreas, que estão “a assegurar-se de que as medidas necessárias estão a ser implementadas para controlar o surto”.

O surto da doença do legionário em Portugal já matou cinco pessoas e infetou outras 264.

Todos os casos, de acordo com a Direção Geral da Saúde portuguesa, «têm ligação epidemiológica ao surto que decorre em Vila Franca de Xira».

Infografia: legionella - o ponto da situação

A doença do legionário transmite-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.