Com o Orçamento do Estado na ordem do dia (será conhecido na sexta-feira), há outro assunto "importante" para o primeiro-ministro e que está na agenda pública um dia antes: o relatório da comissão técnica e independente criada no âmbito da Assembleia da República sobre os incêndios florestais, na sequência da tragédia de Pedrógão Grande, cujas conclusões seram reveladas amanhã, quinta-feira.

Todos aguardamos com muita ansiedade conhecer os trabalhos desta comissão téncica que foi exemplar no seu processo de constituição. Uma iniciativa que partiu do PSD, com apoio da Assembleia da República e que tem peritos de grande competência técnica". [Veja quem são aqui]

António Costa diz que o relatório permitirá "olhar de forma informada, tecnicamente e cientificamente robusta" para uma tragédia que o país "não pode ignorar" e, ao mesmo tempo, ajudará ao "desafio de fundo" de valorizar a floresta e prevenir catástrofes.

Por isso mesmo anunciou um Conselho de Ministros extraordinário para análise do relatório, que terá lugar a 21 de outubro, com a promessa de "passar à prática, apurar responsabilidades e tomar medidas para prevenir".

O presidente da Comissão Técnica esteve hoje de manhã no Parlamento para ultimar os pormenores da entrega do relatório, amanhã, ao presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e aos grupos parlamentares. Estas informações foram entretanto confirmadas à Lusa por fonte do gabinete de Ferro Rodrigues.

À margem do lançamento do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, na Culturgest, em Lisboa, Costa foi confrontado ainda, pelos jornalistas, com as negociações do Orçamento do Estado, a nova liderança do PSD e a situação na Catalunha.

Espanha, o país-irmão

A este propósito, disse que o Governo regista a declaração de independência, suspensa por algumas semanas, anunciada ontem pelo presidente do governo regional. Portugal reafirma "a posição clara de apoio ao respeito pelo Estado de direito, constituição e unidade de Espanha.

O desejo que temos é que no quadro institucional,  sejam encontradas soluções para assegurar continuidade de Espanha, uma Espanha próspera, nossa parceia na UE e na NATO, um país-irmão"

Sobre se teme riscos para economia portuguesa de um desmembramento de Espanha, o chefe de Governo apontou que seria "redutor", neste momento, olhar dessa forma para "o desafio colocado".

"O que se espera de um país como Portugal é palavra forte de respeito pela sua constituição, unidade do Estado espanhol e pela democracia, desejo de que todos possam encontrar as melhores vias", concluiu.